O que eu quero afinal?

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Eu sempre pensei que sabia o que  iria estudar, com a ideia de me profissionalizar na área da educação. Meu pai é professor, e eu não sei se é coisa de família, mas também gosto muito de ensinar. Sonhava cursar LETRAS (para ser professora e redatora), e acabei por iniciar no curso que ganhei bolsa, PEDAGOGIA, e tendo trabalhado em uma cheche e depois em  um colégio infantil descobri que não era nessa parte da educação que gostaria de atuar.
Na postagem do dia 3 DE OUTUBRO DE 2015  intitulado ‘ O que a garotinha vai estudar ‘ eu contei sobre os sonhos que tive desde a infância de ser professora ( entre outras profissões), e disse que havia pensado em outras duas  áreas diferentes.
A primeira delas seria SOCIOLOGIA , na faculdade FESPSP ( pois a maioria das faculdades que  fornece o Curso Superior de Sociologia é  em EAD ). E a segunda e inusitada  (pasmem!) seria Automação Industrial (Curso promovido pelo SENAI e outras escolas de de nível técnico de São Paulo).
A sociologia me veio como uma outra maneira de atuar também com a escrita, e porque não investir em sem professora da área – pensei . 
Pra quem não sabe, meu interesse por sociologia, começou desde que tive a matéria no colegial, mas foi quando me deparei com livros do Bauman , em especial este aqui : 
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Que então eu pensei  ‘ Eu preciso entrar nessa de fazer a sociedade compreender o qual liquida ela tem sido, e encontrar meios de mudar esse  cenário ( um oceano onde se afunda a humanidade)! ‘  Mas convenhamos que isso é muito utópico né  rsrsrs.
Cheguei a fazer minha inscrição e nem aparecer na Faculdade FESPSP. Após fazer trabalhos de Sociologia para alguns amigos, refleti melhor se valeria mesmo apena iniciar este curso. 

Já a Automação Industrial é uma área que considero linda, serio LINDA ! rs
Eu amo essa coisa de criar ( vocês sabem !) , e por trás de toda criação existe um projeto, uma elaboração técnica. E eu amo ver homens fazendo isso! rs
Mas calma lá, não é só pra ver barbudos que optei por acrescentar esse curso em minha lista de possibilidades profissionais.  A Automação Industrial é uma área muito interessante, visa entre outras coisas maximizar a produção com o menor consumo de energia e/ou matérias primas, e menor emissão de resíduos de qualquer espécie, o que envolve  BUSCAR POR SOLUÇÕES CRIATIVAS ( E QUE PROTEJAM O MEIO AMBIENTE).
Por ser uma área  largamente aplicada nas mais variadas áreas de produção industrial, o mercado de trabalho para o profissional em automação industrial é gigantesco, o que iria me proporcionar muitas  possibilidade de trabalho.
Além de que através de cargos do ramo, eu teria mais condições financeiras para realizar outros projetos pessoais.
Mas não se trata apenas de admirar a área e deslumbrar as possibilidades através da  mesma, eu já quis cursar Eletrônica e fui muito bombardeada por desejar uma área normalmente optada pelos homens. E acho que o meu sexo é o que menos importa nessa escolha, embora homens possam ter mais facilidade com essas coisas, eu me garanto rs!
Ter exercido recentemente um trabalho que envolvia visitas em muitas industrias ( de diferentes segmentos) daqui de SP, me  colocou em contato mais próximo com o que seria este curso, e eu gostei muito!
Tenho pensado muito desde então  em atuar mesmo nesta área, o que seria uma total  mudança de tudo que imaginei sobre meu futuro, mas seria um desafio que gostaria de encarar como uma maneira de desenvolver mais as partes ainda não exploradas da minha cachola! rs 
Tudo caminhava para isto (  já estou tentando uma bolsa ) … Até que ontem me deparei com o comentário da leitora Apoli do fantástico mundo de apoliland.wordpress.com , me sugerindo o curso de Estudos Literários.  E eu confesso que não me lembro de ter tido conhecimento de um curso com essa nomenclatura, então fui pesquisar sobre, e acabei descobrindo que esse bendito, engloba muito do quero  (com exceção é claro, do meu sonho de vestir um macacão e trabalhar em industrias rsrs).

Se trata de uma área científica que cuida da crítica, da reflexão e da pesquisa dos vários gêneros literários.Focado em pesquisa literária, o curso prepara o aluno para a crítica teórica e a produção de textos. O bacharel em Estudos Literários é um profissional especialista em literatura, com pleno domínio do processo de produção e crítica teórica e da história da literatura. A formação do profissional inclui bases sólidas de conhecimento da cultura brasileira, de historiografia literária e de literatura comparada, além de outras áreas de conhecimento ligadas às ciências humanas, como sociologia, antropologia e linguística. A reflexão sobre a produção literária contemporânea é fortemente presente na proposta do curso, que tem um caráter específico, mas também abre uma porta generalista de conhecimento, devido à variedade de disciplinas optativas que oferta.
O curso abrange vários aspectos que envolvem a literatura, como a produção de textos em diversas modalidades (poesia, prosa e outros gêneros literários) e o estímulo à capacidade de formação de uma visão crítica sobre a produção literária e a história da literatura. A base curricular do curso se firma em disciplinas que envolvem o estudo da literatura brasileira, de teoria literária, de história da literatura, de língua portuguesa e outros idiomas e, ainda, na prática da pesquisa científica, com metodologia de pesquisa em diversos temas e fontes.

Senti que inventaram este curso pra mim, pelo menos nele encontro quase tudo do que sempre quis pra mim:

  • Atuar com a escrita (meio editorial, jornalismo/redação, poesia e outros gêneros) 
  • Atuar com a educação (pois a maioria dos alunos do curso tem sucesso investindo na carreira acadêmica) 
  • Lidar com Literatura e  Cultura
  • Estar envolvida com ciências humanas, incluindo sociologia 

Sem contar que iria me capacitar para o que mais amo fazer ( até como necessidade de desabafo da alma rs) ESCREVER!
E como frisei no post O que a garotinha vai estudar, preciso fazer o que me permiti estar de bem com a vida, e as vezes sinto que encontraria isto fazendo o que a garotinha que ainda habita em alguma parte de mim sonhou desde a infância. Pois afinal de contas o que eu quero mesmo é estar feliz com o que quer que decida fazer! 
Porque esperar passar das 17:59 para ser feliz, não é a vida que eu quis. 
É MINHA QUERIDA LEITORA Apoli, você realmente leu em mim as ideias que tenho para o futuro, e agora me abriu uma outra grande possibilidade. Muito obrigada por isto!

Big Brother e o medo da exclusão

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No livro ‘ Medo Líquido ‘ Zygmunt Bauman abordou  muitos medos, mas detalhou um dos maiores medos da nossa época, o medo de uma catástrofe pessoal. O medo de se tornar solitário, de ser o alvo selecionado, designado a ruína total. O medo de ser deixado de  para trás, de ser o excluído.

Mais do que nunca as pessoas fazem questão de se parecerem uma com as outras, corte de cabelo, estilo da barba, calçado, roupas, piercing e tatuagens, o que outrora poderia ser  uma forma de se expressar como diferente, tomou a massa, e agora só sinaliza que são ambos partes de uma mesma tribo, estilo, enfim parecidos. E por serem parecidos, unidos. Ou no minimo juntos a sofrer o eminente medo da exclusão!

No famoso reality show Big Bother é exatamente assim, como na vida real, todo mundo atuando ser o que não é, temendo ser eliminado por ser real.

Trecho pag. 29

Os reality shows, essas versões líquido-modernas das antigas morality plays*, testemunham diariamente em favor da vigorosa realidade dos medos. Como  indica o nome que assumem ( reality show ), um nome que não sofre oposição  dos espectadores e que só é questionado por um ou outros pedantes particularmente presunçosos, o que eles mostram é real; mais importante, contudo, indica também que ”real” é aquilo que mostram. E o que mostram é que a inevitabilidade da exclusão – e a luta para não ser o excluído – é aquilo no qual a realidade  se resume. Os reality shows não precisam ficar repetindo a mensagem: a maioria de seus espectadores já conhece essa verdade; é precisamente essa familiaridade arraigada que os atrai aos bandos para as telas de TV.

 

O Titanic somos nós

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Mais uma leitura acerca dos tempos líquidos, dessa vez ‘Medo Líquido’ (obviamente de Zygmunt Bauman).
O livro esmiúça bem medo por medo, que possuímos na sociedade atual, medo da violência das grandes cidades, medo de perder o emprego, medo de perder quem amamos, medo do terrorismo, da fúria da natureza … medo da morte, medo da própria vida.

Aos poucos vou postar trechos aqui, pra reflexão da loucura em que vivemos.

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Trechos, pag. 20 e 21
Muitos anos atrás, e alguns anos antes que os eventos 11 de Setembro, o tsunami, o furacão Katrina e o terrível salto subsequente nos preços do petróleo ( ainda que misericordiosamente por pouco tempo dessa vez) propiciassem essas oportunidades horríveis de acordar e ficar sóbrio, Jacques Attali refletia sobre o fenomenal sucesso financeiro do filme Titanic, que superou todos os recordes de bilheteria anteriormente obtidos por filmes-catástrofes aparentemente semelhantes.
Ele então ofereceu a seguinte explicação,notavelmente plausível quando a escreveu,mas que, alguns anos depois, nos soa nada menos que profética:

O Titanic somos nós, nossa sociedade triunfalista, autocongratulatória, cega hipócrita, sem misericórdia para com os pobres – uma sociedade em que tudo está previsto, menos os meios de provisão…Todos nós imaginamos que existe um iceberg esperando por nós, oculto em algum lugar no futuro nebuloso, com o qual nos chocaremos para afundar ouvindo música…

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Sim, icebergs -não um iceberg, mas muitos, provavelmente em número grande demais para serem contados. Attali identificou alguns deles: financeiro, nuclear,ecológico, social.

Trecho  pag. 28 

 Os temores emanados da ”síndrome do Titanic”  são os de um colapso ou catástrofe capaz de atingir todos nós, ferindo  cega e indiscriminadamente, de modo aleatório e inexplicável, e encontrando todos despreparados e indefesos.

Ver também:

Big Brother e o medo da exclusão