Soneto da vida difícil

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Não houve favoritismo algum, foi preciso acordar cedo e dar a cara a tapa
Foi preciso um coração de aço e joelhos capazes de suportar milhas e milhas
Foi preciso ler os sinais e os bons autores além da contra capa
Não houve lugar por onde não vagasse sua alma, na imensidão sonora de trilhas
Era preciso que fosse poeta, mulher, amante e aprendiz
Fora tudo e muito mais que se possa crer existir
Era no eu lírico uma multidão morando numa única cicatriz
Fora divina, rainha e imperatriz numa só vida regada á mártir
Não há quem não a sentisse penetrar a alma
Foi refém da própria falta de calma
Era insólita, imatura e neurótica
Era a encarnação de uma cronica em cada defeito que possuía
Era estranho vê-la partir de mala e cuia
Quase sempre sem rumo, acabava no destino certo de uma viagem caótica
 

Soneto: Palavras

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Palavras
Há sempre as palavras que caem bem, e as que não cabem em lugar nenhum
Algumas dizemos, outras esquecemos, com raras sonhamos e nunca ouvimos
Há sempre as doces, as amargas, as rudes e as acalentadoras
Todas de alguma maneira repleta de formas, sabores, sentidos e cores
Todas importantes, mas há as que dispensamos
 
Há sempre palavras onde tem homens, mas nem sempre há homens onde há palavras
Algumas soam como ruído, outras tantas fazem guerra enquanto poucas chamam a paz
Há sempre pequenas e grandes, da realeza ao baixo escalão
Todas vazando dos lábios, para se declarar, odiar e ensinar
Todas ditas, mas há sempre as que não são ouvidas
 
Há palavras pra todo tipo de gente
Dezenas pra machucar, centenas para curar
Palavras nos livros, nas revistas, nos rádios, nas televisões e nos sonhos
Existem até palavras dentro do silencio, e fazemos até uso de palavras para explica-las
Todas de todo tipo, povoam a terra, inundam os mares, recheiam as manchetes
Falam por nós e as vezes nos calam

Antes do sim,  depois do fim

 
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Um dia a saudade virá,  e com sorte ela há de ir 

Se não for,  vou me esconder numa montanha e chorar

Vai arder o sol, e virá a chuva…  Há de vir! 

Mas se for seca,  não vou me apavorar
Vou recolher os destroços,  e depois sorrir

Vou te ganhar de novo,  te perder mil vezes, e te pedir perdão

Vou chorar e rir

Vou recomeçar a historia,  com o mesmo coração
Vou rabiscar que há de existir vida depois do fim

Vou rasurar embaixo que há muito mais depois do sim

Vai arder o sol e virá a chuva, um arco-íris nascerá
Vou começar um jardim

Vou te fazer ver o melhor de mim

E o amor renascerá

Sobre a participação no CNNP ( O TERCEIRO CONCURSO DO ANO )

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Foi minha primeira participação no CNNP, e me sinto privilegiada por ter sido selecionada para fazer parte de mais uma Antologia Poética promovida pela Editora Vivara.
Deixo  aqui meu soneto que faz parte desse compilado de trabalho de novos poetas:

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Confissão

Tentei de tudo, mas ele não deixava meu pensamento

E então me tornei refém, sem ousar de novo outra tentativa de resistência

Me entreguei inteira ao sentimento

Que pedia de mim solucionar depressa a dor da ausência

E contra a vontade do amor não se luta

Padre o senhor a de me compreender, era um encanto

E já não sou mais uma mulher impoluta

E sabia que só encontraria nele meu acalanto

Havia de ser assim ou eu ia morrer

E eu só iria a óbito por amor, se ele fosse comigo

E então fomos pra não mais sofrer

Para onde vão os apaixonados sem noção de perigo

Fomos amar

Mas não vou pedir perdão por isso

Só queria mesmo era confessar não ter mantido meu sentimento remisso

Pois isso seria pecar


 
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Concurso 1 –  Soneto: Anjo Caído > ver aqui 

Concurso 2 – Soneto: Soneto de didático para Leonardo > ver aqui

É possível conferir outras participações AQUI << 

Soneto de um amor em decomposição

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Em memória do que vivemos eu te escrevi
Queria resumir numa carta o passado
Mas foi pouco que transcrevi
Por questão de segurança, relembrar demais é um ato recusado
Meu coração só suporta até certo ponto
Minha mente já não é mais assim tão sã
Eu te amei desde nosso primeiro encontro
Foi quando teve inicio a paixão malsã
E agora ai de mim
Que vivo morto assim
Relembrando que a felicidade escapou de nós por um triz
E foi assim que amor que partiu, me partiu o peito
E agora ai de mim que peno com o lembrança em estado putrefeito
Buscando no passado um amor que não me quis
 
Jaqueline Bastos

Desengano

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Pensei que era mesmo ele
O ser a me libertar de estar exilada em mim
Não pensava haver outro abaixo daquela pele
Mas não foi assim
Fui consumida por minha própria ingenuidade
Enganada por meu próprio coração
Arrebatada de amor foi minha sanidade
E pelo crer cegamente recebi minha punição
Sofri o castigo da descoberta
E por minhas próprias lágrimas fui liberta
Ainda presa mim, mas livre dele
Há um exilio do qual nunca se pode fugir
Mas de enganos sempre poderemos partir
Novamente pertenço a mim, e não a ele
Jaqueline Bastos

Um filho de Deus

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Por onde quer que eu fosse sempre via pelo caminho um menino, desses que você se desvia porque considera ser só mais um menino de rua
E todo menino me parecia sempre o mesmo, sem brilho no olhar, sem calçados nos pés
Mas certa vez um deles me roubou a atenção, pois de uma maneira apaixonada fitava a lua
Ou talvez ele olhasse para cima buscando uma resposta, algo que pudesse lhe explicar o porque de sua vida revés
E temi que a lua lhe dissesse que estava fadado a não ter o mesmo direito que os outros
Que seria sempre assim
Uma vida de frio, fome, admirando o céu sobre escombros
Era só um menino, e como todo menino apenas gostaria que a vida lhe dissesse sim
Ao menos uma vez
Ele tinha esse direito
Porque todos temos de desfrutar da vivez
Por isso sei que ele queria ser mais que um qualquer, chamado garoto de rua
Queria receber da sociedade ao menos respeito
E a certeza de também ser um filho de Deus ao contemplar a lua
 
Jaqueline Bastos

Soneto do eu adulto

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Quando  era criança  não sabia  de  muita coisa sobre a vida 

Mas sabia o necessário, doce  ou salgado, legal ou chato, comestível ou caca, tédio ou diversão

Lembro que  eu era mais feliz , mais decidida , mais corajosa e atrevida 

Não  sabia de muito é verdade, e vivia num estado de imensa desatenção

Mais era bom, era tão  bom… porque viver era tarefa facil, leve

Não havia o peso de nenhuma divida, de dinheiro ou de emocional 

Não  me causava medo saber que a vida é  breve 

Não entendia o medo dos adultos em ser feliz, não entendia porque falavam sobre  ser racional

Afinal de contas racional pra que? Se perguntava eu com a razão  da infância

E tinha razão mesmo!  Crescemos pra que? Adultos causam o caos do mundo, são cheios de violência

São insinceros, mentem até pra si  mesmos

Escrevem sobre a  saudade da infância e apagam tudo 

Tendo medo  que alguém os  veja, se escodem atrás de um escudo

E nunca mais … longe da terra do nunca… nunca mais somos os mesmos

 

Terra Adorada

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Entre tantas a mais bela
Rios, matas, concretos e faróis
Em tudo és exuberante ainda quando singela
Morada de guerreiros e heróis

Quem restirá a Ti, se és por Deus abençoada?
Quem não a amarás?
Ninguém a Ti prevalece, Terra adorada!
Tu cativas a todos com tuas belezas raras

És morada de todos os povos, seio do mundo
País do futebol, do carnaval
Terra da Maria, da Ana Cristina, do Zé e do Raimundo
Terra do solo fértil, rainha do mineral

Terra rica dos pobres
Terra dos sonhos dos nobres
És Tu Brasil, Terra adorada!

S o f i a

 

WP_20150809_030Versos pra você são desnecessários

Se não  entende agora

Irá compreender daqui  uns aniversários

Só tenho silencio diante de você inspiradora 

 

Pois não há o que  te dizer 

Além do que já foi dito 

E também não  há nada que eu possa fazer 

Pois nada diante de você é  bom o suficiente, nem mesmo bonito

 

Calam-se as razões e qualquer Filosia

Você é maior que tudo  Sofia

É o que conclamo!

 

Através de você, a sabedoria

A paz, o amor, a melhor companhia

E  eu só posso repetir, Sofia a amo !

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