Leitura leve: Estamos Bem de Nina LaCour

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Eu estava na livraria Nobel comprando o livro Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes quando me deparei com a linda arte de capa de  Estamos Bem, da escritora Nina LaCour. Dei uma lida rápida na contra capa e resolvi levar.
Li o livro em menos de quatro dias, entre idas e vindas de ônibus. Achei a leitura bem tranquila, é um livro gostoso de ler (compreenda isto como UM LIVRO QUE NÃO CANSA! e que pelo contrário, mesmo escrito de maneira simples instiga a prosseguir com a leitura).
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O livro é escrito em primeira pessoa, e nos leva a um mergulho na solitária vida  Marin, uma jovem  órfã que morava com seu avô na Califórnia (até que este também morre).
A história é marcada por alguns acontecimentos, entre eles o romance lésbico entre Mari e sua melhor amiga, o que não ocupa muita parte do texto, mas que serve para mostrar a carência e até mesmo sensibilidade da jovem personagem com relação a afeição.
Em suma é um livro sobre a dor da perda e  como essa pode nos afetar.
Gostei de como foi escrito ( principalmente da cronologia  que tornou a leitura leve), houve muita sensibilidade na abordagem da solidão e  perda, de modo que não fez soar exagerado ou melodramático. Nos mostra que a vida sempre irá nos surpreender, de maneiras boas e ruins, mas apesar de ambas tudo muda outra vez… e nos sobrevivemos!
 91EdSzm72nLAutor: Nina LaCour
Gênero: Romance contemporâneo

A magia da disciplina em O Caminho do Guerreiro Pacífico (filme, resenha do livro e dica de quadrinho)

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Hoje eu vim recomendar, um dos livros mais significativos que já li na vida, se trata do best-seller O CAMINHO DO GUERREIRO PACÍFICO
O livro na época de sua edição vendeu cerca de 25.000 exemplares no Brasil, quantidade que considero pouca, diante das  importantes reflexões que o livro proporciona a seus leitores no mundo todo.  Traduzido em vinte idiomas, e até hoje fazendo workshops e seminários  Dan Millman é um desses autores difíceis de ignorar!

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Dan Millman é um escritor norte-americano que já publicou 13 livros em um estilo auto-ajuda místico. O mais famoso dos seus livros é “O Caminho do Guerreiro Pacífico”, uma espécie de semi-autobiografia, no qual o autor relata desde a sua vida como jovem ginasta que se preparava para as Olimpíadas, até o seu encontro com o mestre Sócrates, que vai lhe transmitir ensinamentos de transformação interior, que muito tem da filosofia budista.

Vamos a minha historinha com livro :  Era final do ano de 2015 quando acabará de sair de um relacionamento,   e para compor ainda mais minha fase fossa, eu também estava desemprega e doente, pois havia sido diagnosticada com anemia profunda.  Não conseguia sair de casa, então  entre muitos bifes de figado e saladas de beterraba eu assistia a muitos filmes na internet para me distrair, foi então que através do Youtube  que conheci o filme traduzido aqui no Brasil como  Poder Além da Vida  (Título orginal : Peaceful Warrior)
Ter assistido a este filme tão motivante, justamente naquela época foi algo muito importante pois me ajudou muito. Não demorou muito para que eu fosse atrás de descobrir tudo sobre o mesmo, que apesar das alegorias, é baseado na história real de   Dan Millman, que além de escritor (com mais de dez livros publicados) hoje em dia também atua como palestrante disseminando ainda mais a filosofia do Guerreiro Pacífico  
Embora tenha comprado o livro no ano passado, e devorado o mesmo em poucas horas, eu resolvi o reler nos últimos cinco dias com mais calma, para fazer uma resenha por aqui.  Clique aqui para assistir ao filme. 

Sobre Dan Millman

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Como livro é dividido:IMG_f8095a2dbec62526e7680eda6b2da2a0Slide de alguns dos meus  trechos favoritos: 

RESENHA DO LIVRO IMG_b9683d9966b0adc6b9507003775a02b5.jpg

O livro  se inicia com a entrada de Dan na Universidade, e é justamente durante esse período  como estudante, que o jovem passa a ter pesadelos terríveis com a morte, e caminha para depressão. 
Até que certa vez ,após acordar de um pesadelo, vai até a loja de conveniência de um posto de gasolina próximo a Universidade, e lá se depara com um senhor identifico ao que estará em seu horripilante sonho. Tornando a situação ainda mais enigmática, instantes depois de Dan o ver sentado,  se vira para trás e nota que o  senhor está no teto da loja. Atordoado  o questiona sobre o truque, mas o senhor permanece quieto. 
Seus pesadelos se tornam ainda mais terríveis e frequentes, então Dan decide voltar ao posto de gasolina para obter respostas,  tanto sobre o por que daquele homem fazer parte de seus pesadelos (e por se sentir de algum modo ligado a ele) , e claro, também  para descobrir como o mesmo subiu tão rapidamente ao telhado. E assim nasce uma estranha amizade, entre aprendiz e mestre.
O senhor sábio de aparentes poderes misticos e  respostas filosóficas,  é chamado por Dan de Sócrates, e passa no decorrer de todo livro frases bastante significativas, chegando até a fazer menção de muitas narrativas de cunho filosófico. 
Sócrates encaminha Dan para vida de guerreiro, enquanto o mesmo acaba sendo passado ao pelo leitor, que também é levado a rever seu estilo de vida e seus sonhos.

PONTOS IMPORTANTES DA NARRATIVA 

O medo que Dan possuí da morte
A maioria dos pesadelos do personagem  está relacionado a morte. E esse é um ponto bastante abordado no livro, pois diferente de Dan, Sócrates não teme a morte e o alerta dizendo que ”A morte não é triste. O triste é que a maioria das pessoas não vive.
Durante o livro, situações levam tanto Dan quanto Sócrates a  flertarem com a morte, o que torna o tema ainda mais  expressividade no livro.
O medo do fracasso
Seja como ginasta, seja no amor, ou na vida como um todo, Dan como maioria de nós teme o fracasso, e por isso vive correndo atrás do sucesso. E mesmo se deprimindo e ficando cada vez  mais frustrado, custa-lhe muito perceber que a ” A jornada é o que nos traz a felicidade, não o destino”
Neste ponto Dan é levado a se questionar sobre o porque por trás de suas ações, e encontra assim respostas que o levaram a perguntas ainda mais complexas sobre sua existência.
A ansiedade – A dificuldade do personagem de viver no presente
Outro ponto onde fica  fácil se identificar com Dan, é em relação a sua dificuldade de viver O AQUI, O AGORA. Não é atoa que da um demasiado trabalho a Sócrates ensinar a ele esta lição!
A falta de autocontrole   x   A disciplina de um guerreiro
De irritadiço, esfomeado, falante e  triste,  Dan trilha o caminho do Guerreiro Pacífico rumo uma mudança  radical de vida. A qual se fundamenta nas 3 Regras, que são:
PARADOXO
A vida é um mistério. Não perca tempo tentando entendê-la.
HUMOR
Tenha senso de humor. Especialmente sobre si mesmo. É a força por trás de toda atitude.
MUDANÇA
Nada permanece o mesmo.
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Enfim, chega de resenha. e bora mergulhar  de cabeça nessa obra incrível de Dan Millman que rendeu o filme citado no inicio do post, e também uma bela história em quadrinhos,  com ilustrações de Andrew Winegarner. 
 

O Livro, com certeza é a maneira mais profunda de conhecer essa linda história e aprender com as experiencias reais de Dan, mas sim, carrega um dose extra de misticismo e alegorias.
O Quadrinho, por sua vez condensa muito bem o fundamental da história, mas talvez por não ser muito meu estilo, não creio que seja tão expressivo quanto o livro. Já meu namorado que curte quadrinhos, considera  que as ilustrações de Winegarner foram mais eficazes do que o longa quanto a transmitir as mensagens que Millman destaca no livro.
Quanto AO FILME, embora tenha sido meu primeiro e significativo  contato com a história de Dan, confesso que quando comparado ao livro ou mesmo aos quadrinhos, acaba sendo a  versão mais rasa, pois no longa  dirigido por Victor Salva não existe os ares de fabula e misticismo presente nas narrativas, o que acaba por  ter retirado da história partes bem interessantes.
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PS: TANTO O LIVRO QUANDO O QUADRINHO FORAM LANÇADOS AQUI NO BRASIL, PELA EDITORA: PENSAMENTO.

Poesias Excelentes: O tempo e as Estrelas

IMG_744f6a3f9b928cb07067024b48abc1d2Eu encontrei  em uma feirinha de livros, este livro lindo chamado O tempo e as estrelas (Editora TALENTOS DA LITERATURA BRASILEIRA), que  é o segundo livro de poesias do poeta Allison  Diego. 

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Blog do ator : http://alissondiego.blogspot.com.br/

Me identifiquei bastante também com o fato do autor ter participado de um dos Concursos que costumo participar.

Os temas que aborda neste apanhado de 33 poemas acompanhado de ilustrações de Francisco Rivero são : A POESIA, O AMOR, A EXISTÊNCIA E MINAS GERAIS.

A orelha do livro, traz um comentário de Vilma Guimarães sobre a poesia do autor: 

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Seguindo a linha de Bandeira e Drummond, Alisson fala de amor, cotidiano  e a significância da existência de maneira simples mais genial. Em seu pequeno livro, podemos ver mesmo através de pequenos versos a expressão intensa de suas frases.
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Segue aqui, dois do meus poemas favoritos do livro: 

É A VOZ DO PROFETA POPULAR

EM VERTIGINOSA SENTENÇA:

”TUDO É PÓ”

A VIDA É PÓ

A POLÍTICA É PÓ

PÓ DE MINÉRIO: POLUÍ

LEITE EM PÓ: DILUI

O HOMEM VEIO DO PÓ

O VENTO LEVA O PÓ

TUDO É PÓ

E O QUE NÃO É PÓ HOJE 

PÓ TORNAR-SE-Á UM DIA

 

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É PRECISO UM GRANDE DESAFIO

ALGO QUE FAÇA TREMER AS PERNAS

E TRAGA SUSPIROS E INQUIETAÇÕES

UM DESAFIO MAIOR

QUE A MAIORIA NÃO ALMEJE POR MEDO

UM AMOR MALDITO

UMA GUERRA SEM SENTIDO

UM DESAFIO  METAFISICAMENTE CALCULADO

PREOCUPANTEMENTE INCERTO

REALISTICAMENTE IMPOSSÍVEL.

RECOMENDO!

 
 

O amor verdadeiro encontra-se nos pequenos gestos: Soppy de Philippa Rice

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Minha historinha com livro/e Resenha: Faz bastante tempo que fui presenteada com este livro lindo, para ser exata um pouco mais de um ano, quando meu namorado ainda não era meu namorado, rsrs. O fato é que depois de irmos ao cinema (fase da conquista), eu me deparei com este livro em uma vitrine, e antes que eu pudesse perceber ele voltou com livro pra mim. 
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Ou seja esse livro acabou ganhando um significado todo especial, justamente porque seu titulo é Soppy que significa  demasiadamente sentimental, ou fofo. E seu subtitulo é ‘ Os pequenos detalhes do amor‘  o que vem bem a calhar com a forma como o ganhei. 
A frase da contra capa é justamente o titulo deste post ‘ O amor verdadeiro encontra-se nos pequenos gestos‘  e completa assim ainda mais a maneira como este livro está inerente a minha história de amor <3 !
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O livro é um apanhado de  tirinhas que se baseiam em  momentos da vida real da designer britânica Philippa Rice e seu namorado também ilustrador com quem vive em Londres (onde se passa o livro).

Soppy que não possui textos corridos, e conta com  poucas frases nas tirinhas (sendo a maioria delas sem frases) ficou popular na web, com mais de meio milhão de postagens no Tumblr, por destacar as sutilezas do amor presente nos gestos mais simples da vida em casal.
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As ilustrações em preto, branco e vermelho são simples mais muito (muito!) fofas! E com certeza  capturaram muito bem a experiência de um romance através dos momentos mais simples do dia-a-dia.

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Meu namorado como sabem é do Rio de Janeiro, e quando nos conhecemos fazia apenas dezessete dias que havia vindo para o centro de São Paulo. Levou alguns meses até iniciarmos o namoro de fato, mas após começarmos a namorar ele veio morar mais próximo (e com isso quero dizer ser meu vizinho) ou seja, hoje em dia passo mais tempo na casa dele do que na minha. E vivi com ele muitas experiencias similares a deste livro (tipo mobilhar a casa juntos, passar tardes chuvosas juntos e etc), o que faz com que Soppy seja pra mim muito significativo! Mesmo tendo pouco mais de 100 páginas e quase não tendo frases, é um dos xodozinhos da minha estante. Acho que  todo casal vai se identificar nem que seja com uma tirinha só!
<3 Fica aí a dica para presentear seu parceiro(a).
E para quem quer se encantar ainda mais com a arte de Philippa Rice (que hoje em dia é mamãe e fez esse desenho super fofo ai abaixo e postou em seu instagram), fica aqui os links de onde encontra-la:
Instagram
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Philipparice.com
cardboardlife.tumblr.com
twitter.com/philipparice
facebook.com/cardboardlife

Um livro que aborda a sexualidade feminina sem meias palavras: Diário De Uma Garota Normal

Eddard Stark
Minha historinha com livro:
Há algum tempo …
Voltando de uma viagem, meu namorado e eu passamos numa pequena livraria de terminal rodoviário. E foi o Leo (meu namorado) que ao ver a capa resolveu me mostrar o livro.
Creio eu que ele deve ter feito isto por duas razões, primeira: A ARTE DA CAPA/porque amo vermelho, e amo livros ilustrados, segundo: porque era nítido que o ‘’normal’’  no título era um tanto quanto  irônico.
Eu foliei o livro, li a contra capa, e resolvi levar (ou melhor dizendo, ele me deu de presente!). Mas não demorou muito tempo para perceber que seria uma leitura um pouco cansativa, pois  o livro é bastante extenso e rico em detalhes, além de que a personagem é um tanto quanto chatinha e exageradamente rebelde, o que soou bastante genérico no início.
Próxima do final do livro percebi que a personagem era definitivamente, uma garota perdida! Perdida em vários sentidos, sendo os principais: o fato de ser adolescente, o fato de ter um pai ausente, e possuir uma mãe totalmente irresponsável. E também por crescer numa época onde a juventude tinha por obrigação se rebelar (ainda que sem motivos!)… pra ajudar a criaturinha ainda se apaixonou logo pelo padrasto, com o qual vivia no início uma relação conturbada de sexo casual. Enfim, vamos a resenha:

Minnie é uma garota 15 anos que mora em São Francisco, ama desenhar (e pretende levar seus desenhos a sério e um dia trabalhar com isto) e resolve registrar sua adolescência de uma maneira bem ilustrada num diário. Seu relato da puberdade é bastante detalhado, e não deixa de fora todos os segredos que normalmente os jovens gostariam de esconder de todos.
Diferente da maioria das garotas dessa idade, Minnie não tem receios de abordar sua relação com o sexo, descrevendo detalhes dos encontros amorosos com o namorado de sua mãe, e seu enorme interesse por outros rapazes. Além disso discorre também sem medo sobre sua relação com as drogas.
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Sem sutilezas ou romantismos o livro nos leva a ver o quão rebelde a jovem Minnie é, o que toma um ar quase mirabolante. Mas aos poucos percebemos que sim, Minnie é apenas uma garota normal, insegura com sua aparência, descobrindo o mundo (e apesar das suas experiências diferentes, digamos assim)  tudo o que ela deseja é ser amada, seja por um homem ou por seus pais.
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Obs: O que me lembrou bastante um filme que assisti no Netflix que se chama LOVE ME (ver post AQUI) <
Minnie da voz  a um tema tratado como tabu que é a sexualidade feminina, da qual mau se fala, e quando se fala, é geralmente tratada por homens , ou mesmo por mulheres com certo receio. E um ponto bastante interessante na leitura, é a maneira como a adolescente nos mostra que o universo adulto  pode ser mais cáustico que a própria adolescência, ou que talvez a adolescência só seja caótica justamente por ser essa passagem da infância para um universo de egoísmo e joguinhos ‘’adultos’’.  Pois ficamos a pensar que apesar da personagem ser rebelde, o problema não está nela e sim no adulto que a assedia, na mãe  alcoólatra e que se mantem distante, e no próprio contexto com a qual a juventude da época (1960) estava lidando.
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Fui levada a acreditar durante a leitura que o ápice  do livro seria o suspense sobre a mãe da personagem vir a encontrar seu diário, e de repente surtar com ela. Mas aos poucos se vê que este livro tem o propósito de contar realmente uma estória que nos faça refletir, e sobre tudo não mistificar a sexualidade feminina, pois esta é natural, normal.

Quando vi a foto da autora na capa do livro, e juntando os fragmentos lidos, eu suspeito assim como os críticos de que este é um livro totalmente autobiográfico.
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Sobre a autora: Phoebe Gloeckner nasceu na Philadelphia e cresceu em San Francisco. Seus quadrinhos apareceram pela primeira vez em publicações underground quando ela era ainda adolescente. Hoje, é aclamada pela critica por sua coleção de historias, quadrinhos, pinturas e gravuras.
Fica aqui minha recomendação para quem curte a abordagem do tema. 
Editora: Faro Editorial –  302 Páginas


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Vale lembrar que o livro ganhou uma adaptação para o cinema em 2015 (que eu ainda não assisti), trailer abaixo: 

Poesia sobre o íntimo: Outros Jeitos De Usar a Boca de Rupi Kaur

5Não é sempre (pelo menos não na atualidade) que um livro de poesias chama tanto atenção a ponto de  ocupar o primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times.  Mas isto aconteceu com OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA,  livro que reuni poemas e gravuras da escritora e artista Rupi Kaur.
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Rupi  é uma imigrante da Índia, e foi justamente por ter dificuldade em falar inglês quando criança  que se dedicou  a desenhar (hobby que herdou da mãe) e a ler.
E então aos dezessete anos (em 2009) passou a se dedicar a escrita, e ficou famosa nas redes sociais pela temática abordada em sua arte, que carrega uma forte expressão poética de sobrevivência e femilidade. 
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Atualmente Rupi vive em  Toronto , no Canadá, e Milk and Honey– editado por aqui como OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA é seu primeiro livro publicado. 
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Minha historinha com o livro:  O livro já havia a bastante tempo me despertado interesse, tanto pelo fato de se tratar de poesia (como sabem eu me interesso/e escrevo  poesia), e principalmente por esta estar relacionado ao tema MULHER/femilinidade. 
Não sou feminista, e por essa razão mesmo tendo bastante interesse na abordagem da mulher através da escrita, sou bastante criteriosa, e acabo tendo dificuldade em encontrar um bom livro  que trate a respeito.  
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Mas Rupi uniu o que procurava a um livro com excelentes gravuras (as quais admirei muito!). E então quando  recebi o livro de presente do meu namorado, o devorei em poucas horas! (Embora eu ache que este seja o tipo de livro que se deva ler vagarosamente, buscando refletir a respeito). 
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Embora já tenha lido a um certo tempo (quem me acompanha do instagram deve ter visto os diversos trechos que compartilhei por lá),  eu queria ter tempo suficiente para falar desse livro por aqui. E finalmente esse dia chegou, rs!
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Como mulher acredito que é  de suma importância  transmitir  o nosso ponto de vista  em relação o cotidiano no que diz respeito a violência, preconceito, relacionamento familiar/e afetivo, perdas e etc.  { Por isso recomendo este livro, a todas as mulheres (sem exceção), e  aos homens sábios,  para que estes através das palavras de Rupi possam ver um pouco melhor  como muitas vezes nos sentimos em relação a estes temas. } 
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Neste livro, que é   dividido em quatro partes, que são :  A DOR,  O AMOR, A  RUPTURA E A  CURA
O livro se inicia pela DOR onde Rupi nos conta um pouco sobre os abusos sofridos durante  sua infância e  ao que tudo indica inicio da adolescência. 
Chamando atenção para o tema estrupo, abusos psicológicos, e relação familiar de opressão. Rupi também nos leva a  reflexão, sobre como podemos ser ocupadas/os por educar as mulheres  para serem de certa forma passivas em relação a estes desacatos.  
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Na parte AMOR,  é abordado a importância do amor próprio, e como este pode tornar muito mais saudável nossos relacionamentos. 
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 Minha parte favorita foi  A RUPTURA onde Rupi parece nos passar com ainda mais força toda revolta do seu íntimo em relação a toda opressão, seja da sociedade, da família ou mesmo de relacionamentos tóxicos e abusivos.
( clique nas imagens para ve-las em tamanho maior )
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E então depois de toda poesia de sobrevivência gritada, chegasse a última parte intitulada A CURA,  onde a autora escreve “A questão sobre escrever é que/ eu não sei se vou acabar me curando/ ou me destruindo” — Rupi Kaur
É  A PARTE DO LIVRO ONDE MAIS SE DESTACA A IMPORTÂNCIA DO AMOR PRÓPRIO,COMO LIDAR COM AS PERCAS E SOBRE TUDO COMO TRANSFORMAR EM POESIA/ ALGO POSITIVO   TODA DOR DAS EXPERIENCIAS AMARGAS
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  • EDITORA:  Editora Planeta do Brasil, 2017  –  204  páginas 
  • Não deixei de ler este livro, e repassa-lo as mulheres que conhece, pois elas com certeza irão em algum ponto se identificar e se sentirem reconfortadas por esta leitura. 
  • Se eu não destaquei muito bem os motivos pelos quais este livro deve ser lido, não deixe de ver o post feito pelo SUPER INTERESSANTE a respeito do mesmo. 

 
 

Resenha: O Calor Do Sangue

PicsArt_10-01-08.17.30O Calor Do Sangue – IRÉNE NÉMIROVSKY

É na França da década de 30, que Sílvio um homem já velho, relembra sua juventude. Enquanto a morte sem muitas explicações do personagem Jean Dorin, acaba pouco a pouco por revelar alguns segredos acerca de outros personagens.

O livro parece ter tentado seguir a linha de mistério policial, mas fracassou feio nessa tentativa. No entanto é recheado de boas frases, e eu separei dois trechos  para que se tenha uma noção da escrita de Némirovsky:

Não sei se o ser humano faz sua própria vida, mas o certo é que a vida acaba por  por transformar o homem.
Cada um deve viver e sofrer por si próprio. O serviço que podemos prestar aos nossos filhos é deixar que ignorem nossa própria experiencia. 

O titulo “Calor do Sangue” se refere a chama da vontade, tipicamente jovem, que faz com que se viva para realizar os próprios desejos, da maneira mais intensa e egoísta possível.

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E leva o leitor a refletir sobre o qual tolos somos nessa fase da vida, e como isto pode resultar no nosso futuro (e também no de outras pessoas). 
A obra inacabada, que deveria ter sido datilografada pelo marido da Irène, Michel Epstein, foi interrompida quando Michel soube da prisão de Némirovsky, pela polícia nazista em 1942. Denile Epstein a filha do casal, foi quem apresentou ao mundo as obras da mãe.

Considero uma leitura leve, bem vinda para quem gosta de detalhes e reflexões do gênero.
 

Resenha: O Homem Duplicado

PicsArt_10-01-08.16.55O Homem Duplicado JOSÉ SARAMAGO

Minha historinha com o livro: Certa noite (a cerca de três ou quatro semanas), pedi a meu irmão cinéfilo sempre citado por aqui, a dica de um filme. E fiquei muito feliz em saber que ele me recomendou um filme com Jake Gyllenhaal como devem saber, meu queridinho!, mas ele me advertiu ‘ ESSE EU JURO QUE NÃO ENTENDI! MAS SE QUISER TENTAR! ‘  
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Foi então que eu e meu namorado dedicamos a noite a pensar sobre o filme  de Denis Villeneuve, baseado na obra de José Saramago. // Post sobre o filme aqui // Mas não obtivemos muito sucesso, então decidi comprar o livro (e ler Saramago pela primeira vez), e o resultado da leitura (foi uma experiencia tão  insólita quanto ter visto o longa ) rendeu a resenha abaixo:

RESENHA
O inicio do livro  (narrado em terceira pessoa) nos leva supostamente a conhecer Tertuliano Máximo Afonso (nome que Saramago repetiu de 3 a 5 vezes em cada página!), um homem refém de um cotidiano monótomo, que se dividi entre dar aulas de História e ler sobre as civilizações mesopotâmicas.
Aos trinta oito anos de idade e recém divorciado, o protagonista vai dia após dia sucumbindo a depressão, até que um colega de trabalho (o professor de matemática) lhe indica um filme, o qual Tertuliano aluga, e acaba por descobrir seu clone no longa (se trata de um ator com papéis medíocres de pontas).
Tertuliano passa a desejar descobrir mais sobre o homem, cujo a face e todo resto é perfeitamente igual a ele. Mergulha então em horas e horas de cinema, assistindo a muitos filmes da produtora onde trabalha seu duplo. Até que finalmente descobre a identidade do mesmo, e busca uma forma de conhece-lo.
A essa altura da leitura, já sabendo que não se trata de gêmeos, clones ou irmãos, tem até um aviso na contra-capa de que não seria algo tão obvio, foi então que comecei como leitora, a me perguntar se Tertualino era mesmo o homem pacato apresentado pelo narrador. Pois sua súbita obsessão em conhecer seu duplo, acabou por leva-lo a se questionar muito acerca de si mesmo, até que ele sofre uma enorme crise existencial,e  se mostra mais perturbado, do que  apenas triste e entediado.

Saramago construiu uma narrativa simples acerca de homem  Tertualiano nos dizendo  oque  este faz, como é, o que possuí , e que não possuí, mas este é na verdade  um personagem deveras complexo, o que faz com que a elaboração do livro chame atenção pelo cuidado do autor, em criar estrategias de suspense e mistério em torno do tema DUPLICIDADE.
Simbolismos e elementos parecem roubar a ”cena”, e em algum ponto subestimei Tertuliano por julgar conhece-lo, e é então que o Senso Comum (narrador do texto) nos leva ao desespero do personagem que vive o pesadelo do mito da originalidade, e percebemos que nada é realmente o que parece.
Super recomendo! 

Resenha: A fera em mim

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Quem me acompanha no instagram sabe que esses dias li o livro A FERA EM MIM de Serena Valentino, e fiquei de fazer uma resenha do mesmo por aqui. Mas antes de começar a falar sobre o livro, eu vou dizer quem é Serena e que tipo de trabalho ela desenvolve.
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13765776_10154381928647938_260042759071089273_oSerena Valentino é conhecida por seu estilo único de contar histórias, trazendo seus leitores para mundos assustadores, beleza e extraordinárias protagonistas femininas. (palavras da Wikipédia sobre a autora)
C5xvbKfU4AAx4eiEla é autora de uma série de livros intitulada Os vilões da Disney , lançada pela editora Universo dos Livros, a série propõe contar aos fãs de contos de fadas um pouco sobre quem eram os personagens icônicos antes de se tornarem grandes vilões .
Confira aqui toda a coleção. <<
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RESENHA

Agora falando do volume (único que li desta coleção de livros da autora) A FERA EM MIM, que adquiri nas lojas Americanas, pensando realmente ser um livro que abordaria todo conto da visão da Fera, vamos a minhas primeiras impressões sobre:
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Devo salientar primeiramente que como sou fã deste conto de fadas, e pensei que seria interessante um livro que abordasse justamente o ponto de vista do príncipe amaldiçoado, ao invés de uma mera narrativa, como o conto fora contado e recontado pela Disney nos filmes.Tive certa presa em ler o livro, e fiz a leitura de suas 235 páginas em poucas horas dividas em dois dias. E após ler o livro pensei Apenas uma obra Disney contada com alguns personagens a mais, uma ou outra diferença da versão dos filmes e só ! Nada de pensamentos do príncipe a cerca de como era estar preso a uma maldição, ou mesmo sobre ter se apaixonado por uma garota tão diferente do tipo pelo qual costumava se atrair
Eu não teria comprado o livro se soubesse que Selena Valentino se baseia nos vilões da Disney , e como esses se apresentam nas histórias da própria produtora infantil Walt Disney Pictures.
De uma maneira bastante simples, beirando uma mediocridade na escrita, Selena apenas mostrou a fera tal como a vemos nos filmes. O que é contado sobre o príncipe ser arrogante,egocêntrico, mimado e obsessivo por beleza e perfeição é algo que todos nós já vimos, ou seja o príncipe aqui aparece exatamente como nas versões cinematográficas.
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A amizade do príncipe com Gaston 
Uma diferença bastante notória é amizade que ele tem com Gaston, nesta versão ambos são grandes amigos de infância, e Gaston chega até a salvar a  vida do príncipe. Com o passar dos anos a amizade de ambos se torna ainda maior. Porém Gaston começa a mostrar indícios de inveja, o que acaba gerando uma certa competitividade entre eles.

As pretendentes do príncipe 
Antes de ser amaldiçoado o príncipe se encanta pela beleza de Circe, uma moça de cabelos loiro claro, olhos azuis pálidos e delicadas sardas. Chega a ficar noivo da mesma, porém ao descobrir que essa era filha de um criador de porcos desmancha o noivado.  Circe porém é uma feiticeira, e neste caso a feiticeira que lança sobre ele a maldição que o transforma em fera. Sim, nesta versão é esta ex noiva a responsável pela maldição, que acontece pouco a pouco atormentando o príncipe dia após dia.

Mais tarde conhecemos  a princesa Tulipa Morningstar uma moça que embora bastante simpática e bonita, não é muito inteligente, e justamente por este motivo motivo Gaston a apresenta ao príncipe como um ótimo partido, e logo se torna a nova noiva do príncipe.  

Nesta parte a narrativa começa  a abordar  ( de maneira medíocre ) a questão de que naquela época as mulheres não liam ou estudavam , pois estas eram  vistas como atividades masculinas.

Bela é uma personagem que aparece pouco na narrativa, embora  apareça misteriosamente no decorrer da estória como uma moça que o príncipe nunca consegue ver de frente. Bela é justamente o perfil de garota pelo qual o príncipe jamais iria se interessar (antes da maldição), pois por ser uma apaixonada por livros, pensa de maneira  muito diferente das outras mulheres.
Era verdade: todo mundo no vilarejo pensava que ela era estranha por ler muito, já que não se comportava exatamente como as outras garotas. *** E dai que ela estava mais interessada em ler sobre princesas do que em ser uma? * Trecho da página 193🌷  
Não era um mostro completo, era? Se fosse, não a teria matado? Não teria se importado em quebrar o feitiço.Assim, precisava dela desesperadamente. Ela era sua última chance. Não tinha certeza se merecia uma chance , mas interpretou a chegada de Bela  como um sinal de que deveria tentar.* Trecho da página 194 🌷  
Livros! Livros a deixavam feliz.Ela não era como qualquer garota que ele conhecera,e ele pensou que talvez gostasse disso. Na verdade, ele tinha certeza de que gostava.
* Trecho da página 197🌷  

As bruxas
Circe a feiticeira ”boazinha”, é a irmã mais nova de 3 bruxas: Marhta, Ruby e Lucinda que odiosas pelo que o príncipe fez a ela, buscam  não dar a ele a opção de se livrar da maldição (conhecendo o amor verdadeiro). Essa foi a única parte da estória em que noto o esforço da autora em tornar este um conto ”assustador”, tanto na descrição da aparência das bruxas, ou até mesmo no comportamento delas  Serena tentou realmente trazer ao livro um ar mais pesado, mas sinceramente não conseguiu!

O desfecho da história é bastante parecida com o que todos conhecemos, não  é um livro que eu recomende, e deixo aqui meu porque.

O sentido de um fim e as memórias que todos temos

Oi! 
Hoje eu vou resenhar a primeira leitura obrigatória da minha vida acadêmica como estudante de Letras, o livro O sentido de um fim ( título original : SENSE OF AN ENDING ), do autor inglês Julian Barnes.
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Iremos trabalhar o livro durante todo esse primeiro semestre,  na disciplina  Lingüística e Comunicação.
Confesso que comprei o livro há duas semanas, no entanto estava bem difícil dar continuidade a leitura do mesmo. Em parte por ler nas brechas de tempo no transporte público ( que convenhamos não é o que se pode considerar um bom lugar para leitura ), em parte por desinteresse na narrativa ( eu detestei o jeito esnobe como o narrador descreve  como eram seus  amigos colegiais, metidos a filósofos mo inicio do livro ) .
Mas ontem, ao me dar conta da quantidade de tarefas que tenho protelado, decidi ( e prometi a mim mesma )   começar o livro do primeiro paragrafo ( De novo!  Deixando de lado as primeiras e negativas impressões )  e ir até a última página  em poucas horas… acabei por adormecer as 2 AM deixando minha promessa se esvair em profundo sono.
Acordei atrasada para o trabalho, e quase esqueci de levar comigo r as 159 páginas do  senhor Barnes, mas  finalmente, finalmente terminei o livro! Então bora conferir minha resenha!

MINHAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA  

O livro é narrado em primeira pessoa por Anthony Webster ( ou Tony para os íntimos) , um  senhor de sessenta e poucos anos  que mergulha de cabeça nas memorias da juventude, afim de encontrar sentido para uma porção de questões que talvez não tenham tido um fim, ao menos não, com um  sentido claro. 
Durante anos você sobrevive com as mesmas sequencias, os mesmos fatos e emoções. Eu aperto um botão marcado Margaret ou Verônica, a fita corre, a mesma coisa de sempre aparece. Os eventos reconfirmam as emoções- ressentimento, uma sensação de injustiça, alívio-  vice -versa.
Não parece haver um jeito de acessar  outra coisa; o caso está encerrado. É por isso que você busca corroboração, mesmo que acabe sendo contradição. Mas e se, mesmo num período tardio, suas emoções acerca daqueles fatos  e pessoas do passado mudarem? 
Pag.  129
O tempo passa para todos, mas o que revela quem somos, nossa história, e tudo que vivemos é a nossa memória. Memória essa que com o tempo pode falhar, nos fazendo talvez nos perder de quem  fomos,  e assim consequentemente de quem deveríamos ser.
E hoje, quem somos? Sub produto do que vivemos,  ou o que pretendíamos realmente ser?
Quem era mesmo Adrian? Quem era mesmo Verônica?
Tony Webster busca responder a essas perguntas, enquanto acaba por perceber quem é, e sobre tudo quem foi. Numa reflexão nostálgica Tony procura compreender o passado, para encontrar sentido no presente. 
O livro traz fragmentos de muitas memórias da juventude do narrador, e suas impressões atuais sobre elas. 
Além de revelar fatos do presente como encontros com Margaret sua ex mulher, e uma serie de encontros com Verônica sua ex namorada da adolescência. 
Particularmente amo obras literárias que tratam do poder corrosivo do tempo,  e de  como os anos podem comprometer nossa memória a ponto de alterar o sentido de muitas ocasiões. 
Eu sei que o que vivi, com base em tudo que me lembro, mas se passo a esquecer o que vivi, fico confusa, não sei bem o que senti quanto estive lá ( no passado) , naquele lugar distante que é agora apenas uma memória nebulosa.  É assim que me sinto se por mais que me esforce esqueça do que fora outrora. 
Isso é humano! Esquecer é humano, afinal de contas quem de nós pode levar consigo a clareza de algo mais do que cabe em pequenos fragmentos de memória?
Eu não posso!
E por essa razão acabei por me identificar com Tony Webster, e talvez seja por isso que o livro tenha ganhado tanta repercussão  ( e vencido o premio MAN BOOK PRIZE 2011) . 
Se esqueço  o que vivi, logo esqueço o que senti, e  acabo por perder as lições por trás de tais sentimentos. Logo me perco de quem me tornei através dos episódios vividos, volto a estaca zero. Sem memoria de certos fatos, sem parte de mim…  Que sentido  tem o fim se nem me lembro do começo?
Embora não tenha me apegado tanto ao personagem em si, ou mesmo a construção dessa narrativa, gostei muito de como Julian Barnes  retratou a memória, e o que pode acomete-la com o passar do tempo. Fragmentos, nada além de fragmentos … algumas cenas, algumas coisas que nunca iremos esquecer, decepções, amigos que partem para sempre, o envelhecimento, a vida tomando novas formas depois de se tornar disforme. Esse livro faz uso da nostálgica analise de um personagem sobre sua  juventude, e acaba por levar o leitor a mergulhar nas suas próprias memórias. E refletindo nelas, nos perdemos um pouco de Tony, mas questionamos as mesmas coisas que ele. 


Sobre o livro *
O livro é dividido em duas partes, a primeira trás atona ao leitor as principais  memórias da juventude do narrador, Tony Webster. Já  na segunda parte Tony  está tentando encara-las mediante os fatos do presente ( 40 anos mais tarde ). 
O que leva Tony nesse profundo mar de nostalgia, é o fato de haver recebido como herança o diário de um de seus melhores amigos da juventude.   Tal inesperada herança  o leva a pensar não apenas Adrian ( seu amigo suicida, autor do diário), mas também em sua ex namorada Verônica.
A tentativa de recuperar mais memórias da juventude afim de compreender o atual estado de sua vida, o leva a muito remorso, e respostas que talvez não desejasse obter. 
Aos sessenta anos de idade, divorciado, pai e avó,  Tony conta com a ex mulher Magaret por um tempo, para tentar compreender certas coisas sobre si mesmo, mas logo fica por sua conta a compreensão nítida do que o passado fez do presente. Então Tony nota que passado não é apenas passado, é provavelmente o sentido que se esconde por trás do fim.