Reflexão

Sem fingimentos, aceite sua história

Existem inúmeras maneiras de se levar a vida, e eu já experimentei algumas delas nesses vinte oito anos que fazem de mim quem sou hoje.

Eu já tentei ser o que esperavam que eu devesse ser, e fosse para ser aceita ou agradar alguém em específico, deu certo por um tempo, mas graças a Deus não durou mais do que eu pudesse suportar.

Nos últimos meses eu vinha tentando evitar uma grande verdade a meu respeito, mas agora eu sei que já não posso mais fugir dela. Todos os fatos da minha vida até esse exato momento culminaram pra que eu definitivamente entendesse que sou quem sou por causa de tudo que vivi, e que por mais que eu tentasse fugir disso, seria como camuflar uma vida, tentar esquecer toda uma jornada que não pode ser apagada.

Por tanto agora eu aceito os fatos, a vida pode ser complicada às vezes, mas entre todas as maneiras de se viver, a melhor delas sempre será a mais verdadeira.

Aceitar quem somos, como somos. Aceitar os erros e acertos da nossa história, olhando com amor para o passado (que por pior que tenha sido nos ensinou muito), faz com que no presente sejamos mais sábios nas nossas escolhas, podendo vislumbrar assim possibilidades melhores de futuro.

Saber que podemos ser uma versão melhor amanhã, gera combustível suficiente para que a esperança produza ação. E pra que cada ação nos eleve é preciso sim, por mais difícil que seja, aprender com o passado e sem fingimentos aceitar nossa história tal como ela é.

Ninguém precisa ser uma vítima ou um vilão para sempre, podemos sempre mudar, temos sempre a escolha de fazer algo novo.

Usar filtros e máscaras que disfarce e distorcem a realidade é algo que pode parecer simples a princípio, mas logo nos rouba de nós mesmos. E levar uma vida fugindo das verdades a cerca de nós mesmos é um preço alto de mais que não vale a pena, ainda mais se comparado com a preciosidade de uma existência única e verdadeira.

Posso não ser tudo que queriam ou esperassem que eu fosse, mas hoje eu estou bem por ser quem sou e estar onde estou.

Renascendo das cinzas, a gente entende o que nos matou e porque nós matou, e renasce tendo superando nossa versão anterior.

@jaquepoesia

O que você tem dito a si mesmo ?

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As piores mentiras são aquelas que dizemos a nós mesmos, buscando nós convencer de algo por medo ou mera conveniência. Tentando assim calar a inquieta voz da verdade dentro de nós mesmos, a qual  grita incessantemente qual é a realidade dos fatos.
Minha experiência me revelou que quando criança apesar do mundo de fantasias que rondava minha cabeça, não havia necessidade de  tais mentiras.
Mas então cresci, e com isso, como todo adulto  passei a presumir demais. E em um mundo de tantas suposições, as presunções me levaram para um calabouço solitário onde eu ousava presumir as reações das pessoas, ou pior suas intenções e atitudes em relação a mim.
Você já  fez uma ideia boa de alguém que te surpreendeu com alguma atitude desprezível?
E o contrário?
Pois é, faz com que nos sentimos completos idiotas, né? 
É como tenho me sentido diante de certos fatos.
A verdade incontestável é de que a vida é uma surpresa, e tão certo quanto você não pode presumir o que acontecera dentro de duas horas ( ou se existirá amanhã ), você nunca vai poder supor as atitudes alheias ( e muitas vezes nem as suas próprias ) .
Eu andei pensando bastante sobre, pois as vozes a qual costumamos dar mais ouvidos, são as nossas, a voz do orgulho que diz  não  faça isso porque isso é se sujeitar, a voz do medo que diz não encare, a voz da audácia que fala quando deveria calar, entre tantas outras que se disfarçam de pensamentos inofensivos.
Nossa postura diante da vida vai ser fortemente determinada pelas vozes interiores que escolhemos ouvir. E por essa razão é extremamente importante pensar em que estamos dizendo a nós mesmos, e no que temos nós forçado a se convencer.
Há em cada um de nós vozes de encorajamento,que podem ser boas ou ruins. Mas ambas são reflexo do nosso eu.
E o que você tem dito  pra si mesmo?
O que ecoa pra você em forma de pensamentos?
Ok, você não pode controlar seus pensamentos.
Mas lembre-se pode controlar suas atitudes.

Antes dos 30: Na beirada dos vinte e sete e já me sentindo um personagem de 42 do Ben Stiller

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Tinjo o cabelo desde os onze anos, pois gosto da sensação de mudança. Mudava sempre e  por qualquer motivo, mas na maioria das vezes sem razão sensata alguma. Hoje em dia tinjo de preto e apenas de preto, para disfarçar os fios brancos que começaram a nascer cedo, se multiplicaram, e agora são muitos. 
Minha postura já não é a mesma, o que me deixa com dor nas costas com certa facilidade.
Surgiu uma barriguinha que nunca esteve aqui.
Esses dias depois do almoço mordi uma bala (que me lembra da infância), e meu dente cariado quebrou, não deu outra, tive que arrancar o que restava dele.
Agora aqui estou eu, escrevendo  sobre  os três anos antes dos trinta/como é se sentir um tanto quanto velha (em relação a como me sentia antes), e claro estou usando óculos por conta da miopia, sendo cautelosa pra não me mover tanto a ponto de desatar os pontos na gengiva. 
Assisti esses dias no Netflix a uma comédia bobinha do Ben Stiller, cujo o titulo  era  ENQUANTO SOMOS JOVENS.
No filme: Josh Srebnick (Ben Stiller)  é casado com Cornelia (Naomi Watts) a alguns anos, vivendo uma vida sem muitas surpresas, e um tanto quanto chata. Mas ao conhecerem um casal  na faixa dos vinte e cinco começam a comparar sua vida a deles, e assim acabam por perceber  o quanto envelheceram, e sobre tudo o quanto poderiam ainda sim serem como os jovens em relação a acertas coisas. 

O louco é que assisti ao filme, me identificando mas com a crise  de idade do Ben Stiller do com os personagens jovens. 
E veja a ironia, logo eu apaixonada por mudanças desde criança, agora com receio de uma mudança natural e inevitável. 
Daqui treze dias completo vinte  e sete anos, e embora esteja vivendo a melhor fase da minha vida até aqui, e me considere mais segura e madura em relação a antes, mas ainda longe de ser o suficiente!  eu me pego tendo medo de não me reconhecer numa mulher de trinta.
Logo eu que li Balzac aos quatorze temendo agora me perder de mim…
E se eu não me reconhecer mais nas músicas que hoje ainda fazem sentido?
E se passar a temer arriscar? 
E se algo aqui nunca maios for o mesmo?
E se fizer planos e mais planos e …
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Eu vou ter essas palavras, e me lembrar de como era  ter medo do que não deveria temer.

Borrão

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O primeiro amor surge sempre antes da gente crescer. Vai ver até a gente só cresce porque ele surge.
Eu era menina quando você veio pra mim, não sabia combinar cores, estragava as aquarelas e fazia estragos com tinta óleo.  Eu sujava telas e me julgava adulta, mau sabia que as pinceladas de imaturidade ia nos colocar num quadro tão desconfortável.
Não queria que tivéssemos sido dramáticos e tristes como Van Gogh, nem queria ver nosso amor como a fase azul de Picasso.
Queria saber como amar, e como pintar de cuidado seu corpo.
Queria ter feito arte digna de ser  emoldurada.
Queria por fim ser mais que um rascunho, um borrão.
Lamento então nossa tela, que hoje se desfaz mais um bucado, pois crescemos e ainda somos péssimos na arte de amar.  
 

Eu sou uma parte de tudo, tal como a hora é uma parte do dia. (Epicteto)

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O Carnaval de  noventa e um e as contrações da minha mãe, as canções do álbum Out of Time tocando  alto  quando nasci … estava tudo lá  enquanto eu passava a existir.
Madrugada, dia 26 de fevereiro, e desde então o tempo até aqui fora todo meu, minhas horas, minha existência, meus dias e anos permitindo que eu seja, seja lá o que queira ser. Concedendo a mim a chance de deixar fixado no agora qualquer coisa ou nada, que repita o ontem ou tente algo novo hoje, que use bem o tempo sabendo que o amanhã é incerto.
Por hora ainda sou uma parte de tudo como o as horas que fazem parte do dia, mas os ponteiros se movem, e os ossos enfraquecem, enquanto  a mente luta para ficar sã…
Um dia param de girar, deixo de existir mas continuo de alguma maneira fazendo ainda parte de tudo.

A resiliência e resignação de Epicteto

epicteto Eu cria que a vida havia me feito uma criança que por diversas razões, desabrochou para adolescência com certo ódio e amargura. De modo que eu estava predestinada a ser amarga para sempre. Mas não, não fora a vida que fez de mim o que sou, tão somente eu decidi ser como sou diante de tudo que vivi. 
Então meus passos firmes, me levaram para onde não deseja ir, e toda minha audácia por jamais se resignar me tirou muitas oportunidades e até amizades…
Havia criado regras para evitar a dor que nem eu mesma poderia  seguir, de modo que sofria diante das minhas falhas para comigo mesma. 
Segui a risca frase de Darcy Ribeiro, e de tão indignada (não só com política) com tudo, mau vivi, vinte e seis anos de lutas vãs, e tudo para que?
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Mas não penso em viver a outra metade de vida que julgo possuir dessa maneira. 
E é então que surgi a figura de Epicteto, o filosofo nascido escravo e só liberto depois de adulto, foi uma das vozes mais influentes da filosofia da Antiguidade. Tendo vivido nos primórdios da Era Cristã, de 40 a 125. Epicteto não escreveu um livro se quer. Seus pensamentos se tornaram conhecidos  graças a um discípulo, o historiador Arriamo, que  teve o cuidado de anotar as ideias de seu mestre, e depois transformá-las em dois livros, Entretenimentos e Manual. Seu tamanho intelectual é tal que o imperador-filósofo Marco Aurélio, o último grande comandante do Império Romano, escreveu que um dos acontecimentos capitais de sua vida foi ter tido acesso às obras de Epicteto.
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Para ele, o passo básico da vida feliz é aceitar as coisas como elas são. Revoltar-se contra os fatos não altera os fatos, e ainda traz uma dose de tormento desnecessária. “Não se deve pedir que os acontecimentos ocorram como você quer, mas deve-se querê-los como ocorrem: assim sua vida será feliz”, disse Epicteto. (Séculos depois, o pensador francês Descartes escreveu uma frase que é como um tributo à escola de Epicteto: “É mais fácil mudar seus desejos do que mudar a ordem do mundo”.)
Ou seja não adianta sofrer pelas  circunstâncias onde a vida nos coloca, porque isso não muda nada, não nos  livra da circunstancia  onde estamos, só dificulta ainda mais a vida. No transito não existe outra escolha se não esperar, e em outras tantas situações da vida é sim necessário aceitar, esperar, saber como lidar. É sábio, e diminui as lágrimas e a dor. 
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Fontes:  Aqui  e Aqui !

Resolução sobre os amores de outrora

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Vivo esbarrando nos velhos amores
Amores de ontem, amores de outra fase 
De quando tinha  outro coração, o coração ingenuo de antes  das dores 
De antes de compreender o sentido daquela frase …
O ‘ Eu te amo ‘ se diluiu em lágrimas, se desfez assim o amor de outrora 
Outra história se fez, voltei a vida
Resplandeceu a aurora 
Reacendeu a chama ávida 
 
Vivo é verdade, esbarrando nos velhos amores
Eles me encontram nas estações de trem, nas menores livrarias da cidade, nos dias mais chuvosos, e até nos domingos de sol 
Os encontro até sem te-los por perto, pois continuam aqui, na memória
E devo confessar que cada um deles, fora único e inesquecível
Mas se foram!
Não partiram de todo é verdade, alguns nunca nem existiram 
São  só uns ”quases” que perambulam a hipótese do infinito inexistente 
Foram só olhares, gestos, palavras ao acaso …
Tentativas… erros… tentativas, nada mais do que tentativas !
Mas tenho certeza de que não eram pra ser 

Bia, a morte e uma lição

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Conheci através do novo trabalho uma garota, que vou chamar aqui de Bia.
Minha primeira impressão a respeito dela deixou claro que somos demasiadamente diferentes, Bia ama Matemática ( eu odeio! ), adora beber ( eu só bebo chá rs! ), se envolve em relacionamentos abertos por diversão ( eu vivo no celibato rs! )…
Mas apesar das diferenças, Bia me pareceu ser uma garota legal, é inteligente, tem lindos olhos verdes que contrastam com sua pele morena , curte redes sociais, é viciada em series ( e fala muito sobre), apaixonada por mil e um atores (dos quais como uma adolescente fica admirando as fotos no celular). Demonstrou desde que a conheci demasiada preocupação com  a saúde da mãe, parece ter um lado maduro que cresceu depois de tanta dor. Bia perdeu o pai e o namorado no ano passado, e vinha falando muito sobre sua família ( ou que restou dela, sua irmã mais nova e um irmão casado que mora em outro estado). 
Bia disse que gostava muito de festas, mas desde que ficou desempregada ( á 6 meses atrás) deixou de frequenta-las e cortou laços com algumas pessoas. Sua irmã a motivou ficar em casa dizendo ‘ Se um dia a mãe falecer você será quem mais sentirá falta dela, pois nunca passa um tempo aqui! ‘ 
Passando a ficar em casa vendo series e na companhia da mãe, Bia  desfrutou mais da família, e talvez por essa razão vinha falando tanto sobre.
Na sexta-feira passada recebeu uma ligação de sua irmã dizendo que sua mãe estava no hospital, após demonstrar sérios problemas relacionados á pressão. 
Com os olhos cheios de lágrimas  e tremula Bia se despediu de mim e foi as pressas buscar a mãe.
Ontem( segunda-feira ) nos vimos novamente no trabalho, ela parecia estar feliz com a melhora mãe e disse aliviada ‘ Foi só um susto! Nem sei o que seria de mim sem ela!‘ 
Bia recebeu horas depois outra ligação de sua irmã, saiu as pressas nem se despediu …
Sua mãe faleceu.
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Sei que faz pouco tempo que a conheço, mas hoje fez  falta para todos a presença de Bia, principalmente porque todos nós sabemos que ela não está lá por sentir uma ausência maior.
Todo mundo se sentiu parecido com ela agora, todos também adorariam se as mães fossem eternas,  e  se nunca ligações de urgência  nos roubasse quem amamos.
Bia me ensinou uma lição valiosa. 
Eu não a conheci durante os seis meses próxima da mãe, talvez ela nem tenha aproveitado esse tempo o suficiente a julgar por agora, mas quem de nós saberá quanto tempo ainda temos para amar? 
Não temos nada se não o agora. 

[não] Aperte X, O, L1, R2…

Em  “Silent Strength for My Life” (Força Tranqüila para a Minha Vida), Loyde John Ogilvie conta a história de um menino que conheceu numa viagem: Ele observou o menino sozinho na sala de espera do aeroporto aguardando seu vôo. Quando o embarque começou, ele foi colocado na frente da fila para entrar e encontrar seu assento antes dos adultos. Quando Ogilvie entrou no avião, viu que o menino estava sentado ao lado de sua poltrona. O menino foi cortês quando Ogilvie puxou conversa com ele e, em seguida, começou a passar tempo colorindo um livro. Ele não demonstrava ansiedade ou preocupação com o vôo enquanto as preparações para a decolagem estava sendo feitas. Durante o vôo, o avião entrou numa tempestade, muito forte, o que fez que ele balançasse como uma pena ao vento. A turbulência e as sacudidas assustaram alguns passageiros, mas o menino parecia encarar tudo com a maior naturalidade. Uma das passageiras, sentada do outro lado do corredor ficou preocupada com aquilo tudo, e perguntou ao menino:
– Você não tem medo?
– Não senhora, não tenho medo. – ele respondeu, levantando os olhos rapidamente de seu livro de colorir – Meu pai é o piloto.
Existem situações em nossa vida que lembram um avião passando por uma forte tempestade. Por mais que tentemos, não conseguimos nos sentir em terra firme. Temos a sensação de que estamos pendurados no ar sem nada a nos sustentar, a nos segurar, em que nos apoiarmos, e que nos sirva de socorro. No meio da tempestade, podemos nos lembrar de que nosso “PAI É O PILOTO”. Apesar das circunstâncias, nossa vida está nas mãos do Deus que criou o céu e a terra. Ele está no controle, por isso não há o que temer. Se um medo inconsolável tomar hoje conta do seu ser, diga:
“MEU PAI É O PILOTO, NÃO TEMEREI MAL ALGUM!”