De novo e de novo

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Tem um ar de filosofia em nossos signos de água
E como se o oceano fosse pequeno demais para dois peixes, escolhemos habitar o céu
Nós estamos desfazendo um nó juntos
Reconstruindo castelos de areia que vamos derrubar de propósito, porque nós amamos começar de novo e de novo 
Tem sempre  paradoxos nas nossas coincidências
E como se o mundo  nos conectasse por milhas e milhas de razões que desconhecemos, escolhemos amar sem procurar porquês
Nós estamos fazendo as malas
Colando nossos corações no mesmo quadro, porque nós amamos começar de novo e de novo
Jaque Bastos

Quem eu era, quem tenho sido ou quem vou me tornar ?

08ec2fa7ee2f6f5b0c14cc76a3bd209cE. E. Cummings escreveu    Não ser ninguém – além – de – você – mesmo num mundo que está fazendo de tudo, noite e dia, para transformar você em outra pessoa – significa travar a batalha mais difícil que qualquer ser humano pode travar; e nunca parar de lutar. E ele também escreveu É preciso coragem para crescer e tornar-se o que você realmente é. E são  com essas  duas frases que eu estou de  volta depois do hiato de alguns meses, sem escrever nada por aqui. 
Sobre  estes meses ausente, o que dizer ?
Conto sobre ter feito  a  minha primeira tatuagem, sobre os quilos que  ganhei , sobre meu pesadelos  ou sobre alguns sonhos se realizando ?

O que realmente importa? Quem eu era, quem tenho sido  ou quem vou me tornar ?
Porque, bem , quem eu  era errava bastante, quem tenho sido também erra (mesmo que tentando concertar velhos erros), e eu não sei se por hábito ou ”destino”, ou pelo simples fato de ser humana vou  continuar a cometer erros. 
E por mim tudo bem, tudo bem seja lá o que esteja por vir, contanto que eu volte aqui e me de conta de que o meu eu, essa parte grande insólita sobre quem eu sou continue viva, mesmo diante de todo esforço que o mundo faz para me tornar outra pessoa, matando quem eu realmente sou. 
Se  há  alguém que ainda acompanha, ou eventualmente lê esse blog, bom eu estou de volta!  E peço desculpas  a minha  dúzia de emails de  vocês  leitores  insólitos que ficaram sem respostas por tanto tempo. 
O que posso  dizer é  que foram meses bem insólitos e decisivos.  Houveram risos, lágrimas, espanto e surpresas agradáveis, e aos poucos   irei contando se não tudo, boa parte  do que aconteceu. 
Com toda minha insólita mente
Jaque Bastos
 
 

Soneto da vida difícil

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Não houve favoritismo algum, foi preciso acordar cedo e dar a cara a tapa
Foi preciso um coração de aço e joelhos capazes de suportar milhas e milhas
Foi preciso ler os sinais e os bons autores além da contra capa
Não houve lugar por onde não vagasse sua alma, na imensidão sonora de trilhas
Era preciso que fosse poeta, mulher, amante e aprendiz
Fora tudo e muito mais que se possa crer existir
Era no eu lírico uma multidão morando numa única cicatriz
Fora divina, rainha e imperatriz numa só vida regada á mártir
Não há quem não a sentisse penetrar a alma
Foi refém da própria falta de calma
Era insólita, imatura e neurótica
Era a encarnação de uma cronica em cada defeito que possuía
Era estranho vê-la partir de mala e cuia
Quase sempre sem rumo, acabava no destino certo de uma viagem caótica
 

Poesias Excelentes: O tempo e as Estrelas

IMG_744f6a3f9b928cb07067024b48abc1d2Eu encontrei  em uma feirinha de livros, este livro lindo chamado O tempo e as estrelas (Editora TALENTOS DA LITERATURA BRASILEIRA), que  é o segundo livro de poesias do poeta Allison  Diego. 

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Blog do ator : http://alissondiego.blogspot.com.br/

Me identifiquei bastante também com o fato do autor ter participado de um dos Concursos que costumo participar.

Os temas que aborda neste apanhado de 33 poemas acompanhado de ilustrações de Francisco Rivero são : A POESIA, O AMOR, A EXISTÊNCIA E MINAS GERAIS.

A orelha do livro, traz um comentário de Vilma Guimarães sobre a poesia do autor: 

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Seguindo a linha de Bandeira e Drummond, Alisson fala de amor, cotidiano  e a significância da existência de maneira simples mais genial. Em seu pequeno livro, podemos ver mesmo através de pequenos versos a expressão intensa de suas frases.
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Segue aqui, dois do meus poemas favoritos do livro: 

É A VOZ DO PROFETA POPULAR

EM VERTIGINOSA SENTENÇA:

”TUDO É PÓ”

A VIDA É PÓ

A POLÍTICA É PÓ

PÓ DE MINÉRIO: POLUÍ

LEITE EM PÓ: DILUI

O HOMEM VEIO DO PÓ

O VENTO LEVA O PÓ

TUDO É PÓ

E O QUE NÃO É PÓ HOJE 

PÓ TORNAR-SE-Á UM DIA

 

Desafio

É PRECISO UM GRANDE DESAFIO

ALGO QUE FAÇA TREMER AS PERNAS

E TRAGA SUSPIROS E INQUIETAÇÕES

UM DESAFIO MAIOR

QUE A MAIORIA NÃO ALMEJE POR MEDO

UM AMOR MALDITO

UMA GUERRA SEM SENTIDO

UM DESAFIO  METAFISICAMENTE CALCULADO

PREOCUPANTEMENTE INCERTO

REALISTICAMENTE IMPOSSÍVEL.

RECOMENDO!

 
 

Poesia sobre o íntimo: Outros Jeitos De Usar a Boca de Rupi Kaur

5Não é sempre (pelo menos não na atualidade) que um livro de poesias chama tanto atenção a ponto de  ocupar o primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times.  Mas isto aconteceu com OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA,  livro que reuni poemas e gravuras da escritora e artista Rupi Kaur.
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Rupi  é uma imigrante da Índia, e foi justamente por ter dificuldade em falar inglês quando criança  que se dedicou  a desenhar (hobby que herdou da mãe) e a ler.
E então aos dezessete anos (em 2009) passou a se dedicar a escrita, e ficou famosa nas redes sociais pela temática abordada em sua arte, que carrega uma forte expressão poética de sobrevivência e femilidade. 
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Atualmente Rupi vive em  Toronto , no Canadá, e Milk and Honey– editado por aqui como OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA é seu primeiro livro publicado. 
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Minha historinha com o livro:  O livro já havia a bastante tempo me despertado interesse, tanto pelo fato de se tratar de poesia (como sabem eu me interesso/e escrevo  poesia), e principalmente por esta estar relacionado ao tema MULHER/femilinidade. 
Não sou feminista, e por essa razão mesmo tendo bastante interesse na abordagem da mulher através da escrita, sou bastante criteriosa, e acabo tendo dificuldade em encontrar um bom livro  que trate a respeito.  
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Mas Rupi uniu o que procurava a um livro com excelentes gravuras (as quais admirei muito!). E então quando  recebi o livro de presente do meu namorado, o devorei em poucas horas! (Embora eu ache que este seja o tipo de livro que se deva ler vagarosamente, buscando refletir a respeito). 
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Embora já tenha lido a um certo tempo (quem me acompanha do instagram deve ter visto os diversos trechos que compartilhei por lá),  eu queria ter tempo suficiente para falar desse livro por aqui. E finalmente esse dia chegou, rs!
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Como mulher acredito que é  de suma importância  transmitir  o nosso ponto de vista  em relação o cotidiano no que diz respeito a violência, preconceito, relacionamento familiar/e afetivo, perdas e etc.  { Por isso recomendo este livro, a todas as mulheres (sem exceção), e  aos homens sábios,  para que estes através das palavras de Rupi possam ver um pouco melhor  como muitas vezes nos sentimos em relação a estes temas. } 
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Neste livro, que é   dividido em quatro partes, que são :  A DOR,  O AMOR, A  RUPTURA E A  CURA
O livro se inicia pela DOR onde Rupi nos conta um pouco sobre os abusos sofridos durante  sua infância e  ao que tudo indica inicio da adolescência. 
Chamando atenção para o tema estrupo, abusos psicológicos, e relação familiar de opressão. Rupi também nos leva a  reflexão, sobre como podemos ser ocupadas/os por educar as mulheres  para serem de certa forma passivas em relação a estes desacatos.  
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Na parte AMOR,  é abordado a importância do amor próprio, e como este pode tornar muito mais saudável nossos relacionamentos. 
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 Minha parte favorita foi  A RUPTURA onde Rupi parece nos passar com ainda mais força toda revolta do seu íntimo em relação a toda opressão, seja da sociedade, da família ou mesmo de relacionamentos tóxicos e abusivos.
( clique nas imagens para ve-las em tamanho maior )
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E então depois de toda poesia de sobrevivência gritada, chegasse a última parte intitulada A CURA,  onde a autora escreve “A questão sobre escrever é que/ eu não sei se vou acabar me curando/ ou me destruindo” — Rupi Kaur
É  A PARTE DO LIVRO ONDE MAIS SE DESTACA A IMPORTÂNCIA DO AMOR PRÓPRIO,COMO LIDAR COM AS PERCAS E SOBRE TUDO COMO TRANSFORMAR EM POESIA/ ALGO POSITIVO   TODA DOR DAS EXPERIENCIAS AMARGAS
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  • EDITORA:  Editora Planeta do Brasil, 2017  –  204  páginas 
  • Não deixei de ler este livro, e repassa-lo as mulheres que conhece, pois elas com certeza irão em algum ponto se identificar e se sentirem reconfortadas por esta leitura. 
  • Se eu não destaquei muito bem os motivos pelos quais este livro deve ser lido, não deixe de ver o post feito pelo SUPER INTERESSANTE a respeito do mesmo. 

 
 

Paladar pra amar

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Amor calmo, amor fulgaz, amor escândalo e acalentador
Amor contradição, loucura, que aguça olfato e audição
Amor felicidade em prosa ou poesia em dor
Amor platônico, sem tato, turvo ou sem visão
Amor barulhento, costumeiro ou diferente
Amor difícil de explicar, mas que cabe na canção
Amor boêmio, louco  e incoerente
Amor infantil, carente, desses que suplica atenção
Me rendo aqui pois não posso com o coração
 

Borrão

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O primeiro amor surge sempre antes da gente crescer. Vai ver até a gente só cresce porque ele surge.
Eu era menina quando você veio pra mim, não sabia combinar cores, estragava as aquarelas e fazia estragos com tinta óleo.  Eu sujava telas e me julgava adulta, mau sabia que as pinceladas de imaturidade ia nos colocar num quadro tão desconfortável.
Não queria que tivéssemos sido dramáticos e tristes como Van Gogh, nem queria ver nosso amor como a fase azul de Picasso.
Queria saber como amar, e como pintar de cuidado seu corpo.
Queria ter feito arte digna de ser  emoldurada.
Queria por fim ser mais que um rascunho, um borrão.
Lamento então nossa tela, que hoje se desfaz mais um bucado, pois crescemos e ainda somos péssimos na arte de amar.  
 

Desmaio

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Cai, e dessa vez sobre você
Não me apoiei sobre nenhum argumento falho, nem dei desculpas, ou fiz cena, apenas cai
Cai como caem as folhas das árvores
Não desmoronei, não rolei as avessas, não morri
 
Foi como um desmaio, tranquilo e quase imperceptível
Era eu, era um amontoado de nós, no teu colo desajeitado
Foi quase um sonho, daqueles onde caímos quando mergulhados num sono pesado
Era pra durar pra sempre, mas eu acordei, me endireitei sobre minhas pernas e fui embora
 
Não me culpe se acontecer de novo e eu recair
Cai sem querer
Não sou de agir assim
Cai sem culpa
 
Foi  um desmaio, tranquilo, natural
Era eu, nos teus braços, me lembrava os nós que havia sido
Foi quase um sonho, daqueles onde nos colocamos quando ainda acordados
Era pra  durar mais, mas era só um desmaio

Soneto: Palavras

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Palavras
Há sempre as palavras que caem bem, e as que não cabem em lugar nenhum
Algumas dizemos, outras esquecemos, com raras sonhamos e nunca ouvimos
Há sempre as doces, as amargas, as rudes e as acalentadoras
Todas de alguma maneira repleta de formas, sabores, sentidos e cores
Todas importantes, mas há as que dispensamos
 
Há sempre palavras onde tem homens, mas nem sempre há homens onde há palavras
Algumas soam como ruído, outras tantas fazem guerra enquanto poucas chamam a paz
Há sempre pequenas e grandes, da realeza ao baixo escalão
Todas vazando dos lábios, para se declarar, odiar e ensinar
Todas ditas, mas há sempre as que não são ouvidas
 
Há palavras pra todo tipo de gente
Dezenas pra machucar, centenas para curar
Palavras nos livros, nas revistas, nos rádios, nas televisões e nos sonhos
Existem até palavras dentro do silencio, e fazemos até uso de palavras para explica-las
Todas de todo tipo, povoam a terra, inundam os mares, recheiam as manchetes
Falam por nós e as vezes nos calam

Antes do sim,  depois do fim

 
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Um dia a saudade virá,  e com sorte ela há de ir 

Se não for,  vou me esconder numa montanha e chorar

Vai arder o sol, e virá a chuva…  Há de vir! 

Mas se for seca,  não vou me apavorar
Vou recolher os destroços,  e depois sorrir

Vou te ganhar de novo,  te perder mil vezes, e te pedir perdão

Vou chorar e rir

Vou recomeçar a historia,  com o mesmo coração
Vou rabiscar que há de existir vida depois do fim

Vou rasurar embaixo que há muito mais depois do sim

Vai arder o sol e virá a chuva, um arco-íris nascerá
Vou começar um jardim

Vou te fazer ver o melhor de mim

E o amor renascerá