Um quase, quase amor, que de tão louco e platônico foi parar nos livros

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Me disseram os sensatos ‘ É  estranho presumir amar alguém que não conhece

E quem conhece bem o outro?

Amamos o mistério, e supomos amar a descoberta.

Me disseram os sensatos ‘ Isso é loucura! ‘ 

Mas tudo bem não ter sanidade a troco de amor.

Esse é um mundo escuro até que você enxerga pelos olhos do outro …‘ me disse a consciência, e foi assim que minha razão também cedeu ao amor. 

Que diferença faz se enxergamos ou não? O amor nos torna cegos. E se vivo um romance as cegas, vejo que se parece com todos os  grandes romances da literatura, pois no amor não é preciso ver, basta sentir.

E de tanto sentir, escrevi pra ele um poema, baseado num devaneio sobre um nós que não existiu. O poema foi publicado num livro por uma grande editora.

Ele nunca leu, desconhece o poema e o  livro, tanto quanto desconhece o que  sinto.

Vai ver que todos os livros de poemas são feitos assim, de amores intensos, perturbadores e paradoxalmente encantadores … mais sempre platônicos.

Até que um dia por acaso ele escolhe  meu livro numa prateleira, folheia as páginas, para no meu poema, o lê, e o dedica a mulher que ama.

Essa mulher ao ler o poema compreende o quanto ele a ama  de verdade (como o que senti de verdade).

Foi meu amor traduzido em palavras, impresso, sofrido  e só então  lido por ele,  tocou o coração dele e o dela  também.

E  o que pode ser mais real do que as palavras de um poema, inspirado por um sentimento (real)?

Amor genuíno guardado em  prateleiras, pronto para ser descoberto e lido.

Amor genuíno, do tipo que não precisa se consumar fora das palavras.

Amor genuíno, por isso me bastou que ele houvesse me inspirado, e transferido meu amor a outro alguém.

Um quase amor real, mais que aqui  foi grande, e até  existiu…

Não vai acabar aqui, não fique triste por mim quando souber a verdade.

Você será meu pra sempre, pelo menos como está eternizado nos livros.

Isso é poesia, e os poetas não são de ninguém.No entanto suas palavras são de todos.Nascem pra amar e escrever, só isso.

E isso é tudo.


Esse é o fim  da serie de posts  Um quase, quase amor, abaixo todos eles na sequencia:

ep #1  Momentos de nada

ep #2  Nele

ep #3  Depois de ser arrebatado

ep #4  Acordar

ep #5 Fala

ep #6 Encontro

ep #7 Do meu interesse

ep #8 Conjurando seu amor

ep #9 Hig

ep #10 Preciosidades

ep #11 Melhor que dois

ep #12 Sobre uma coisa que queria te dizer

ep #13 Meio vazio o amor platônico 

ep #14 Exagero do meu romantismo

ep #15 Boba 

ep #16 Um quase, quase amor, que de tão louco e platônico foi parar nos livros


 Curiosidades 

O post  Amor platônico e desconexo , Inferno , A louca , Jogo de azar, Na real e Sobre o fim  também foram inspirados na mesma pessoa.

O livro com o tal poema será lançado agora em Abril pela Editora Vivara.

E não ele (o muso inspirador) nunca soube de nada.