Mergulhe

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Para mim que mergulho o tempo todo pra viver,  não compreendo como há quem viva tanto tempo na superfície e sobreviva  assim.
As vezes mesmo mergulhando muito fundo ainda me parece pouco, e alguns se quer colocam os pés na água fria para despertar a alma.
Não é que tenha encontrado o sentido de tudo,mas prefiro ser um peixe a ser um pássaro
sem asas morrendo em terra.

Outros momentos de Wash aqui

As crônicas de Wash
Episódio 15   Mergulhe

Poluição

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Outros momentos de Wash aqui .

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Episódio 13 : Poluição

Tentaram de novo, tentaram poluir o oceano das minhas ideias.E talvez tenham conseguido dessa vez, pelo menos parte dele está poluído. E se costumava me esconder em mim,  agora ocupada com lixo pra onde posso ir ( pra fugir de mim mesma ) ?

Andei necessita do oceano alheio pra me abrigar do meu próprio caos, e que inferno morar fora de si mesmo!

Já não posso mais evitar a difícil  tarefa de voltar pra casa, de acertar as coisas, de levar o lixo pra fora, de estar onde devo estar.De ser de novo eu mesma estando o mundo poluído ou não meu oceano nunca deve deixar de ser meu.

 

 

Ondas

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Episódio 12 : Ondas

Ouvi o som de outra pessoa despencando sobre a água.
E de repente nao estava mais sozinha no meu oceano ,eu tinha você,e tínhamos um ao outro e por isso não temíamos os tubarões do passado,e nem as mares de azar do presente.
Tempestades futuras nos faziam rir,estávamos prontos pra morte por ja termos vivido como queríamos.
Mas nunca é o bastante, ouvi o som,outro ‘Splash’ sobre a água.

O medo inundou nosso oceano particular,morremos afogados e nossas almas se parecem com ondas que desejam se encontrar outra vez.

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Não suporto gente rasa!

Inundada

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Episódio 11 : Não suporto gente rasa!

Eu Wash , um ser estranho para o restante da humanidade , levo em sentido literal a expressão ‘ Mergulhar de cabeça ‘ o que explica minha cabeça ser como é , cheia de rachaduras .Acontece que a maioria das pessoas são duras como concreto , sei disso porque de tão rasas , um único mergulho nelas , e eu já tenho traumatismo craniano.
Meu neurologista disse que devo evitar as pessoas rasas . Como se eu não estivesse tentando!
Acontece que a única maneira de saber se uma pessoa é rasa ou não é mergulhando nela .
Se eu não ousar mergulhar , meus oceanos secam e eu me torno rasa .

Pesadelos que congelam

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Episódio 10 : Pesadelos que congelam

Eu estava dirigindo na chuva , uma chuva intensa , pesada .

A minha direita , outra vez  meu passageiro favorito , o sujeito sem face. 

E  lá fora estava meu passado , perambulando ensopado pelo inicio da tempestade .

Eu pedi que ele entrasse no carro , ele entrou e se sentou bem no centro dos  assentos traseiros.

E por mais que me olhasse com ira , e ciume do futuro sem face a minha direita , eu sentia dó dele . Pobre passado , ensopado ,sozinho , pra sempre no banco de trás.

Eu sentia frio de olhar para ele tremendo,se ele chorasse eu iria congelar ,mas por sorte eu despertei.

Memórias abstratas

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Episódio 9 : Memórias abstratas 

Eu costuma saber onde ficava cada coisa dentro de mim , mas o tempo sacudiu as memorias, e agora  não sei mais onde cada coisa está. Se é que ainda há algo do que passou em mim.

Confundo pessoas , nomes , não sei  mais o que foi que li ou sonhei.Não sei se a frase em minha cabeça me disseram ou ouvi numa canção. 

Desconheço a minha linha do tempo , não nego os lugares onde estive , nem quem fui ou quem sou , embora não me lembre de ambos.

Mas talvez seja o mecanismo de defesa da minha mente , que torna abstrata toda memoria boa , e toda memoria ruim , de modo que eu não me aflijo com as ruins , e nem sinta nostalgia e saudade das boas.

Ou sou eu mesma que pinto as telas do meu passado com as cores e formas que quero.

Mantenha Gael vivo

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Episódio 8 : Mantenha Gael vivo

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Sempre faço questão de trazer a memoria a primeira vez que vi Gael ,lembro que fiquei surpresa com a perfeição da combinação de seus olhos azuis com seu cabelo rubro,que ficava alaranjado quando exposto ao sol.

Gosto de me lembrar como corava rápido quando eu falava de amor,e como mexia as mãos quando queria dar ênfase ao que dizia.

Eu nunca ouvi Gael dizendo o que era certo ou o que era errado,eu sempre descobria o que ele pensava sobre as coisas através do modo como agia em relação a elas.

Ele tinha um mundo inteiro dentro de si,mas não se gabava disso,e se quer dizia algo sobre seus tesouros internos.Ele apenas deixava-se ser descoberto aos que queriam o descobrir.

Gael não era perfeito,quase sempre sua quietude me incomodava,no entanto sua tranquilidade sempre se apoderava de mim,e na calma mais paciente da sua leveza eu amei o mundo que eu habitei dentro dele.

Três semanas antes de Gael morrer eu acariciava seu cabelo enquanto dormia,e tentei supor o que ele sonhava. Ainda me pego fazendo isso ,e as vezes sonho que Gael ainda está vivo em outros corpos.Gosto de acreditar nisso.

O que eu mais amava em Gael não era seu corpo,nem sua face angelical,era a imperfeição de dentro que ele deixava esvaziar pra fora como perfeita e absoluta tranquilidade .

Eu diria que Gael é o amor,e mesmo morto ele nunca deixara de ser.

A varredura

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Episódio 7 : A varredura

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Que cena patética,la estava eu me agarrando ao lixo do mesmo modo que crianças assustadas se agarram a mãe . Uma mãe protege,cuida,ama seu filho,mas meu lixo,meu lixo só me deixava suja,e refém do seu odor terrível.

Era uma quinta-feira o dia da varredura,a faxina geral e eu me dei conta de que idolatrava meu próprio e horrendo amontoado de lixo.A varredura já estava quase no fim quando eu finalmente enxerguei o lixo como ele realmente é,apenas lixo .E então me desfiz dele ,e agora quando mergulho é tudo bem mais fácil,porque nao preciso arrastar comigo um bocado de sujeira.

Os soluços de Lauren

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Episódio 6 :  Os soluços de Lauren 

Lauren entrou desesperada na minha sala de estar, estava aos prantos. Não sabia a fez chegar naquele estado. Presumi num instante mil coisas, alguém faleceu, alguém a magoou muito,  ou ela se deu conta de ter magoado muito alguém …
É tão simplória a atitude de tentar desvendar os motivos das lágrimas e da tristeza de alguém. Nós humanos, choramos ao nascer, choramos pela dor , pela saudade , pela perca de algo e igualmente pela conquista, choramos em casamentos, em partos, em funerais, choramos em salas de estar desesperados.
Entre soluços Lauren disse que odeia quem é, odeia a cada dia mais seu reflexo no espelho,  e odeia principalmente o modo como agi com os outros e consigo.
Eu ousei dar uma resposta, sugeri a ela ‘ Se não gosta de quem é, mude , melhore , se transforme, seja quem deseja ser ! ‘
A dois aos atrás Lauren cortou os próprios pulsos, teve diversas crises, sei que ela não quer morrer, se quisesse já teria tentado novamente . Mas na tarde de ontem Lauren veio a minha casa, queria ser ouvida,  queria justificar a alguém seu ódio a cerca de si mesma .
Os gemidos, as lagrimas, os soluços, a orquestra triste da sua alma implorava por mudança .
Os soluços de Lauren falavam mais que suas próprias palavras .

Dos mergulhos necessários

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Episódio 5 :  Dos mergulhos necessários

Logo que despertei senti o mormaço , outro dia quente , como um daqueles em que o inferno arde debaixo da nossa pele .
Não que eu quisesse realmente mergulhar naquele instante , mas era preciso.Estava indisposta como quase sempre estou quando o mundo se move rápido demais enquanto aqueço , então não havia outra opção se não mergulhar.
As vezes a vida nos obriga a mergulhar bem profundo no oceano das nossas ideias mais sórdidas , e quase sempre isso nos afoga.
Acho que estou bem agora , de volta a superfície , com a mente fria de novo.
Mas lembro do assombro da queda na água congelante e isso me ajuda a lidar com tudo o que ferve aqui dentro.
Eu me conheço mais depois de cada mergulho desses, sei que não sou ruim demais , e nem boa demais , e descubro que preciso desse esse oceano tanto quanto do ar que encontro chegando de volta a superfície.