Soneto da vida difícil

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Não houve favoritismo algum, foi preciso acordar cedo e dar a cara a tapa
Foi preciso um coração de aço e joelhos capazes de suportar milhas e milhas
Foi preciso ler os sinais e os bons autores além da contra capa
Não houve lugar por onde não vagasse sua alma, na imensidão sonora de trilhas
Era preciso que fosse poeta, mulher, amante e aprendiz
Fora tudo e muito mais que se possa crer existir
Era no eu lírico uma multidão morando numa única cicatriz
Fora divina, rainha e imperatriz numa só vida regada á mártir
Não há quem não a sentisse penetrar a alma
Foi refém da própria falta de calma
Era insólita, imatura e neurótica
Era a encarnação de uma cronica em cada defeito que possuía
Era estranho vê-la partir de mala e cuia
Quase sempre sem rumo, acabava no destino certo de uma viagem caótica
 

6 comentários sobre “Soneto da vida difícil

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