Ordinária

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Via tudo ao contrário do que é

Sonhava acordada e assassinava os próprios anseios para se manter viva

Num mundo onde ser egoísta era existir, ela optou por fingir

Fingia sorrisos, fingia não ouvir os rumores a seu respeito

Fingia até não ver os deboches de todos sobre ser como era, tal como parecia

Mas ela não era o que viam, nem tão pouco o que imaginavam

Era feita de concreto maciço, e por dentro era pura memória

Memória das vidas que sonhou ter tido

Vidas de quem tem alma de poeta, e um corpo carnal e facilmente corruptível

Mas o tempo a fez meio torta, quase atriz, mentirosa para o mundo e verdadeira onde importava ser

Ah se soubessem como era grande, rainha do seu próprio mundo

Ordinariamente imensa dentro se si

 

O soneto de minha autoria escolhido pela Editora Vivara

8 thoughts on “Ordinária

  1. Uma das maiores crueldades é nos vermos obrigados a fingir… Fingimos que estamos bem todos os dias: como ficar realmente bem envoltos em tanta hipocrisia?
    Diga-me como deixar de responder “estou bem!” toda vez que ouço “como vai vc?”… Fingimos para não preocuparmos o outro, ou para não revelarmos nosso eterno descontentamento com o andar da carruagem? Ou… ou o quê?

    1. Fato! Tanto para não preocupar quanto p/ não permitir que certas pessoas mergulhem em nossas coisas íntimas. Por exemplo no trabalho, as pessoas costumam agir assim, eu mesmo sou assim com muitos no trabalho. O que é doido, pois aqui quando não estou nem todos sabem rs

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