Irresoluta

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Eu pensei no amor
Assisti de perto a ingratidão
Chorei de alegria e também chorei pela  dor
Enquanto pensava senti as algemas da escravidão 
Não tive escolha
Sempre sinto o que penso

Me sentei sobre o mundo
E naquela tarde vi tudo de cima
Me ausentei de mim por um segundo
Olhando para baixo sem nenhuma estima
Gostaria de não ter sido tão cruel
Mas a vida fora austera

Recoloquei complacência em mim
Para que pudesse suportar outro dia
Para não ter de ser sempre assim
Presa a melancolia
Mas eu sou frágil  e cai
E o mundo fora de mim me aprisionou

Gostaria de não estar tão certa
Mas a vida  me roubou  as incertezas
E agora sou  deserta
Igual a maioria, um amontoado de cinzas
Ainda sinto o que penso
Mas sou incapaz de sentir o que fora proibida de pensar

 

Eu em acróstico por Alex André

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J amais perde-se em paroxismos

A liás, vive sempre de sua humildade

Q uer livrar-se, a todo momento, do terrível jugo

U nicamente mantém distância da falsidade

E scapar de sua bondade é aviltar o mundo

L evar, sim, adiante sua lealdade

I magina sempre como ser uma pessoa melhor, sem dúvida

N unca se esquece de uma pessoa querida

E vence todos os obtáculos de sua tão nobre vida.

B uscando sempre seu autocontrole

A nalisando cada obstáculo imposto pelo destino

S abendo que tudo na vida é paulatino

T emendo a voz de cima da montanha

O uvindo um hino de paz, em seu coração

S oando ao longe com muita emoção.

Esse acróstico foi um presente  lindo  da  autoria do blogueiro das resenhas  Alex André , do Lendo Muito  – inclusive  estou participando das postagens por lá com ”trecos”  insólitos rs!

Vou deixar aqui os links de alguns dos muitos   excelentes acrósticos do Alex :

A Amizade aqui 

Amor Materno aqui 

LENDO MUITO aqui

Olavo e eu

Olavo Bilac (1)
Desconfio e que estivesse acordada , mas não sei. As vezes simplesmente não sei distinguir o real dos sonho.
Eu respirava as palavras Olav Bilac , uma vida de poesia ...

{ Abaixo meus trechos favoritos de alguns dos meus favoritos poemas de Olavo Bilac }

Uma alma alheia, uma alma em minha alma escondida,
– O cadáver de alguém de quem carrego a vida…
Midsummer’s night’s dream

Inania verba
Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
– Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava…
O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve…
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.
Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?
E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!

E eles, pelos degraus da luz ampla e sagrada,
Fogem da humana dor, fogem do humano pó,
E, à procura de Deus, vão subindo essa escada,
Que é como a escada de Jacó.
Mater

Incontentado
Paixão sem grita, amor sem agonia,
Que não oprime nem magoa o peito,
Que nada mais do que possui queria,
E com tão pouco vive satisfeito…
Amor, que os exageros repudia,
Misturado de estima e de respeito,
E, tirando das mágoas alegria,
Fica farto, ficando sem proveito…
Viva sempre a paixão que me consome,
Sem uma queixa, sem um só lamento!
Arda sempre este amor que desanimas!
Eu, eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
O coração, malgrado o sofrimento,
Como um rosal desabrochado em rimas.

E Deus, na altura infinita,
Abre a mão profunda e calma,
Em cuja profunda palma
Todo o Universo palpita.
NOTURNO

Mil vezes sem morrer viu a morte de perto,
E negou-lhe o destino outra vida melhor:
Foi viver no deserto… E era imenso o deserto!
Mas o seu Sonho era maior!
E um dia, a se estorcer, aos saltos, desgrenhado,
Louco, velho, feroz, – naquela solidão
Morreu: – mudo, rilhando os dentes, devorado
Pelo seu próprio coração.
O cavaleiro pobre
Não me fales das lágrimas perdidas,
Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!
Vita nuova

Campo-santo
Os anos matam e dizimam tanto
Como as inundações e como as pestes…
A alma de cada velho é um Campo-Santo
Que a velhice cobriu de cruzes e ciprestes
Orvalhados de pranto.
Mas as almas não morrem como as flores,
Como os homens, os pássaros e as feras:
Rotas, despedaçadas pelas dores,
Renascem para o sol de novas primaveras
E de novos amores.
Assim, às vezes, na amplidão silente,
No sono fundo, na terrível calma
Do Campo-Santo, ouve-se um grito ardente:
É a Saudade! é a Saudade!… E o cemitério da alma
Acorda de repente.
Uivam os ventos funerais medonhos…
Brilha o luar… As lápides se agitam…
E, sob a rama dos chorões tristonhos,
Sonhos mortos de amor despertam e palpitam,
Cadáveres de sonhos…