Ele nos sustenta

Entre tantas proteínas, a Laminina é uma das responsáveis por manter as células unidas e permite que estas células saibam qual é a função a desempenhar no organismo. É como uma barra de aço do corpo humano que mantém as membranas juntas. A laminina e outras proteínas da MEC, essencialmente, “colam” as células (tais como os de revestimento do estômago e intestinos). Glicoproteína de fundamental importância no desenvolvimento embrionário, possuí   um papel importante em processos de diferenciação, migração e adesão celular. A laminina é encontrada, em grande parte, nas membranas basais.

A laminina mantém as células no local e lhes permite funcionar corretamente. A estrutura da laminina é demasiadamente importante para a sua função (tal como acontece com todas as proteínas).

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Abaixo o vídeo completo :

https://youtu.be/sA04ij69lMY

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Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.
Salmos 139:16

 

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Te agradeço

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Foram tantos naufrágios…
Ao menos me serviram para aprender a nadar.
Recordo-me que sentávamos na areia molhada, esperando que o sol secasse as lagrimas que havíamos chorado durante a tempestade.
Lágrimas salgadas como água do mar… eramos juntos um oceano de misérias.
Mas era bom, admirávamos o simples da vida…
Era belo ver as pegadas na areia, o por do sol depois da noite turbulenta…
Oh Deus, me devolva a esses tempos!
Queria ter entendido antes que afundar era bom, que quase morrer afogada era um privilegio. Queria ter compreendido naquele tempo que cada tempestade me moldava, me trazia poderes que só quem sentiu dores na alma pode ter.
Oh Deus, eu te agradeço por cada vez que meu barco virou.
Te agradeço por cada onda que quase me levou …
Porque agora estou aqui, e entendo o porque de tudo ter sido como foi.
Eu já não temo tempestades, sou capaz de sorrir para as ondas, e há vezes em que com Você consigo até dar passos sobre o mar.

Flertando com a escrita de Roland Barthes

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Como eu sempre fico de olho no que surge na sessão de Sociologia do meu sebo favorito aqui em SP, um dia acabei descobrindo Roland Barthes que foi além escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo… enfim, foi demais e como todo bom escritor será sempre demais!
FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO é um livro que explicou com exatidão o estado psicológico retardado de um ser apaixonado, o livro descreveu da maneira mais verdadeira possível todos os estágios interiores e exteriores que se da através de uma relação amorosa.
O livro me fez lembrar de certas situações vividas, me fez pensar em quem sabe amadurecer quando o assunto é amar ( ou demonstrar amor ), me fez rir e quase ( faltou pouco ) me fez chorar.

Já se perguntou porque ama a quem ama? O que torna fulana(o) tão especial?
Barthes já : “Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa e especialidade do meu desejo. Esta escolha, tão rigorosa que só retém o Único, estabelece, por assim dizer, a diferença entre a transferência analítica e a transferência amorosa; uma é universal, a outra é específica. Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis o grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro que desejo (uma silhueta, uma forma, uma aparência)? Ou apenas uma parte desse corpo? E, nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem a tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos para falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável quer dizer: este é o meu desejo, tanto que único: “É isso! Exatamente isso (que amo)!”

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E se o que você ( assim como eu ) pensava ser amor acabou, como acaba a sessão de cinema daquela comédia-clichê-romântica, e você ficou se perguntando como será a vida dos personagens depois da cena final, bom eu sinto muito mas pode ser que até pra eles lá frente tudo tenha acabado. Como a maioria das coisas (coisas da vida) acabam, simplesmente porque devem acabar. Se esgota, termina e pronto!
“Como termina um amor? – O quê? Termina? Em suma ninguém – exceto os outros – nunca sabe disso; uma espécie de inocência mascara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida como se fosse eterna. O que quer que se torne objeto amado, quer ele desapareça ou passe à região da Amizade, de qualquer maneira, eu não o vejo nem mesmo se dissipar: o amor que termina se afasta para um outro mundo como uma nave espacial que deixa de piscar: o ser amado ressoava como um clamor, de repente ei-lo sem brilho (o outro nunca desaparece quando e como se esperava). Esse fenômeno resulta de uma imposição do discurso amoroso: eu mesmo (sujeito enamorado) não posso construir até o fim de minha história de amor: sou o poeta (o recitante apenas do começo); o final dessa história, assim como a minha própria morte, pertence aos outros; eles que escrevam romance, narrativa exterior, mítica.”
É quase impossível o livro não falar diretamente com o leitor, o tempo todo você vai se ver nele, ou ao menos ver quem já amou nele.Acaba sendo divertido ler toda sua historia de amor narrada pelo outro ( que nem te conheceu rs! ).
Barthes apesar de ter uma escrita direta,  mas repleta de exemplos possuía o dom do que chamava de scriptor, cujo poder único é combinar textos pré-existentes em novas formas, por isso sua obra é cheia de trechos de grandes obras, e fragmentos de lembranças que tornam ainda mais fácil a compreensão do que ele deseja transmitir.
Barthes acreditava que toda escrita se fundamenta em textos anteriores, reescrituras, normas e convenções, e que estas são as coisas às quais nos devemos voltar para entender um texto. Além disso, de forma a apontar a relativa falta de importância da biografia do autor de um determinado texto, comparado com as convenções textuais e culturais pré-existentes, Barthes afirma que o escritor não tem passado, pois nasce com o texto. Ele também afirma que, na ausência da idéia de um “autor-Deus”, para controlar o significado de determinado trabalho, os horizontes interpretativos estão abertos para o leitor ativo. Como Barthes declara, “a morte do autor é o nascimento do leitor.

E esse (ironicamente ou não) é tipo de livro que vou ler de novo, de novo de novo.É … ACHO QUE ME APAIXONEI PELO  BARTHES …

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A errância amorosa tem seus lados cômicos: parece um balé, mais ou menos rápido conforme a velocidade do sujeito infiel; mas é também uma grande ópera (Wagner). O Holandês maldito é condenado a errar sobre o mar até encontrar uma mulher de uma fidelidade eterna. Sou esse Holandês Voador; não posso parar de errar (de amar) por causa de uma antiga marca que me destinou, nos tempos remotos da minha infância profunda, ao deus Imaginário, que me afligiu de uma compulsão de fala que me leva a dizer “Eu te amo”, de escala em escala, até que qualquer outro escolha essa fala e a devolva a mim; mas ninguém pode assumir a resposta impossível (que completa de uma forma insustentável), e a errância continua.”

Queria que alguém fizesse desse livro um mega  filme, uma mega peça … uma peça já fizeram, lá no Rio ( ver sobre aqui ) .

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E pra quem quiser ler mais trechos do livro antes de correr para o sebo mais próximo, ver aqui

A necessidade deste livro funda-se na consideração seguinte: o discurso amoroso é hoje de uma extrema solidão. Tal discurso talvez seja falado por milhares de sujeitos (quem pode saber?), mas não é sustentado por ninguém; é completamente relegado pelas linguagens existentes, ou ignorado, ou depreciado ou zombado por elas, cortado não apenas do poder, mas também de seus mecanismos (ciência, saberes, artes). Quando um discurso é assim lançado por sua própria força na deriva do inatual, deportado para fora de toda gregariedade, nada mais lhe resta além de ser o lugar, por exíguo que seja, de uma afirmação.’ R.B.

 Fragmentos de um Discurso Amoroso .  Roland Barthes – Martins Editora
Ps : A minha foto do início do post, é da 16 Edição (2001) Livraria Francisco Alves Editora S .A

Arthur não existe

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Há em Arthur, um jovem e 24 anos, uma necessidade gigantesca de manifestar no mundo digital todas suas mazelas. Igualmente a tudo que vai mau exposto como numa vitrine, também é transferido para suas redes sociais todas suas ”alegrias”, ”conquistas” e ”romances”  como uma novela que todos podem assistir e comentar.
Um vídeo game novo, um show, uma ida ao cinema, ingressos,fotos , provas de que ele é ( ou pelo menos tenta ser ) feliz.
Porque ele faz isso?
Ele precisa da aprovação do outro, um estranho qualquer, um velho amigo da infância, qualquer que o adicionou precisa concordar que ele está vivendo, pois essa é a única maneira de Arthur se sentir vivo.
Alguém precisa comentar sua dor, curtir com ele seu momento alegre. Arthur precisa de companhia, precisa fazer o que todos fazem pra se sentir como eles ( iguais, juntos), parte de um todo, vivo.
Mas na noite passada o meteoro da realidade caiu sobre a terra, todos continuam vivos, menos Arthur, que por um curto circuito  perdeu todos seus ”amigos” de uma só vez em todas as redes sociais.
Sem eles, Arthur não pode possuir o atestado ( dado pelo outro ) de que é feliz, não pode se quer existir.

Sem vida

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Não se apoie sobre mim, sou frágil posso quebrar

Não leve a sério o que digo, nem considere o que sinto

Digo bobagens porque não sinto nada

Tenho em mim a exaustão de mil vidas mau vividas

Já estou morta. Sou um cadáver atoa vagando no tédio

Minto, roubo vidas, sou o próprio diabo

E as vezes sou apenas ninguém

É quando mentem pra mim, e me roubam que morro de novo

E de tanto morrer nunca descanso

Sigo morrendo um dia após o outro

Vivendo assim, sem vida.

Os paradoxos da paixão e a razão cativa

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Estou lendo A RAZÃO CATIVA As ilusões da consciência: De Platão a Freud (SERGIO PAULO ROUANET – 2 Edição publicado pela Editora Brasiliense), o livro é divido em três partes: O ESPAÇO INTERNO, O ESPAÇO EXTERNO, O ESPAÇO FREUDIANO. E é na primeira parte que se encontra o capítulo sobre a consciência e vida efetiva onde  me deparei com todas as ideias filosóficas que tentam explicar os paradoxos da paixão.

Será que toda paixão torna nossa razão cativa, ou será que é justamente através da paixão que descobrimos a razão para tudo?
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Medeia é a famosa personagem da tragédia grega que, abandonada, assassina os próprios filhos a fim de se vingar do marido.

Sei que crimes estou na eminencia de cometer” disse Médeia, ”mas o desejo é mais forte que minhas razões”.

A psicologia de Platão diz que a alma é um conjunto de faculdades hierarquizadas:

Razão, o NOUS, que comanda as demais instancias
Vontade, o TIMOS, que inclina para razão
Apetite, EPTIMIA, que é dominado pelas emoções
E Sócrates compara a alma com coche conduzido por dois cavalos, cujo cocheiro é a RAZÃO.Num aparelho psíquico bem regulamentado o cocheiro deve ter o comando dos cavalos, embora possa perder o controle em certas circunstancias, o que significa que a razão possa ser deposta pelos desejos inferiores.
A ação ética é aquela que visa um bem,sob a impulsão do desejo, e mediante a tutela da razão. A virtude resulta de uma escolha, a escolha é o desejo e a razão, com vistas a um fim. Por tanto é uma razão que deseja e um desejo que raciocina. É o que instrui o desejo o levando a mover-se em direção ao que constitui verdadeiramente o bem, e não a um bem aparente, de modo que significa uma escolha baseada em evitar paixões extremas.
As paixões não são em si nem boas e nem más, mas pode ser que venham a se tornarem nocivas quando excessivas ou deficientes.E compete a razão orientar o comportamento de modo a evitar extremos.
Quantas vezes o desejo não se voltou contra a razão e então nos vimos reféns do que ou quem desejamos?
Desejo ardente por alguém, uma inquietação impetuosa, cólera… Era para possuirmos sentimos mas eles é que nos possuem, tornando a razão cativa e tornando nossa vida em uma busca incansável por realizações desses desejos ( sejam eles bons ou maus ).
Não é a atoa que não é só na psicologia e filosofia que esse assunto tem notoriedade, na literatura geral, no cinema, nas canções é comum nos depararmos com a ideia constante do conflito entre a razão e as paixões.
O homem está obrigatoriamente sujeito as paixões em alguma fase de sua vida ou melhor em todas.
Seja o desejo de enriquecer, de aplacar uma dor, ou de vencer uma competição, somos movidos por desejos o tempo todo, e desejos movem paixões, e paixões as vezes nos fazem esquecer quem somos , afinal de contas perdendo a razão nos perdemos de nós.
E de toda forma são nossos desejos que determinam nossas ações, e nossas ações quem somos, e se não compreendemos o porque de tal desejo, não sabemos o porque de tais ações, e consequentemente não saberemos quem somos e o desejo que deveria revelar quem somos nos faz nos perder totalmente.
Por tanto fazendo jus ao pensamento de Sócrates o melhor a se fazer é controlar bem os dois cavalos e fazer uso de toda temperança necessária para uma vida mais plena, certo?
Não exatamente!
Leibniz o último pensador racionalista do século XVII ressaltou o papel do desejo no processo do conhecimento ” As paixões são uma forma de inquietação, uma tendencia que nos impele a um objeto, e que são acompanhadas de prazer e desprazer.
Com o tempo as paixões deixaram de serem vistas como obstáculos e passaram a serem mais investigadas.Com o Iluminismo por exemplo passou a ser valorizada positivamente, e examinada pelos aspectos de seus condicionamentos sociais.
Vauvenargues escreveu que ”nossas paixões não são distintas de nós mesmos; muitas delas constituem o fundamento de toda a substancia de nossa alma,” e que ” o espirito é o olho da alma, não sua força; sua força está no seu coração, isto é, em suas paixões”.
É O PERÍODO EM QUE HELVETIUS ENSINA QUE ”AS PAIXÕES SÃO NO MUNDO MORAL O QUE O MOVIMENTO É NO MUNDO FISICO : ELE CRIA, DESTROI, CONSERVA, ANIMA TUDO, E SEM ELE TUDO É MORTO. DA MESMA FORMA SÃO AS PAIXÕES QUE VIVIFICAM O MUNDO MORAL.
Ou seja trazendo a ideia de que são justamente as paixões tão determinantes como princípios motores, e decisivas no processo do conhecimento.

FORAM AS PAIXÕES QUE ENSINARAM AOS HOMENS A RAZÃO. Na infância de todos os povos,como na dos indivíduos, o sentimento sempre precedeu a reflexão, e foi seu primeiro mestre”

-Vauvenargues

Não seria um atentado a razão dizer que duas coisas antagônicas são verdadeiras?
Teria a razão sempre estado cativa … e seremos sempre apaixonados acreditando estar certos?