Ondas

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As crônicas de Wash

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Episódio 12 : Ondas

Ouvi o som de outra pessoa despencando sobre a água.
E de repente nao estava mais sozinha no meu oceano ,eu tinha você,e tínhamos um ao outro e por isso não temíamos os tubarões do passado,e nem as mares de azar do presente.
Tempestades futuras nos faziam rir,estávamos prontos pra morte por ja termos vivido como queríamos.
Mas nunca é o bastante, ouvi o som,outro ‘Splash’ sobre a água.

O medo inundou nosso oceano particular,morremos afogados e nossas almas se parecem com ondas que desejam se encontrar outra vez.

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Pesadelos que congelam

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Episódio 10 : Pesadelos que congelam

Eu estava dirigindo na chuva , uma chuva intensa , pesada .

A minha direita , outra vez  meu passageiro favorito , o sujeito sem face. 

E  lá fora estava meu passado , perambulando ensopado pelo inicio da tempestade .

Eu pedi que ele entrasse no carro , ele entrou e se sentou bem no centro dos  assentos traseiros.

E por mais que me olhasse com ira , e ciume do futuro sem face a minha direita , eu sentia dó dele . Pobre passado , ensopado ,sozinho , pra sempre no banco de trás.

Eu sentia frio de olhar para ele tremendo,se ele chorasse eu iria congelar ,mas por sorte eu despertei.

Memórias abstratas

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Episódio 9 : Memórias abstratas 

Eu costuma saber onde ficava cada coisa dentro de mim , mas o tempo sacudiu as memorias, e agora  não sei mais onde cada coisa está. Se é que ainda há algo do que passou em mim.

Confundo pessoas , nomes , não sei  mais o que foi que li ou sonhei.Não sei se a frase em minha cabeça me disseram ou ouvi numa canção. 

Desconheço a minha linha do tempo , não nego os lugares onde estive , nem quem fui ou quem sou , embora não me lembre de ambos.

Mas talvez seja o mecanismo de defesa da minha mente , que torna abstrata toda memoria boa , e toda memoria ruim , de modo que eu não me aflijo com as ruins , e nem sinta nostalgia e saudade das boas.

Ou sou eu mesma que pinto as telas do meu passado com as cores e formas que quero.

Minha primeira derrota e o HOMEM PERNAMBUCO

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Tem a primeira vez pra tudo, né?! ;(
E foi assim a PRIMEIRA VEZ que participei de um concurso de cronicas , e A PRIMEIRA VEZ QUE PERDI UM CONCURSO de escrita.

Sobre o Concurso AQUI
Outras informações e vencedores AQUI

Abaixo minha singela cronica em homenagem a Rosil , O HOMEM PERNAMBUCO :

Mamãe ! Mamãe?
– Diga meu filho o que quer ?
– Preciso de ajuda com o dever ! A professora pediu para criarmos uma história , um personagem que represente Pernambuco . A cultura da nossa terra ,quem somos.
– Pense meu filho , que tipo de sujeito representaria Pernambuco pra você ?
O menino foi para seu quarto , lançou-se ao chão com seu lápis e caderno .Pensou que Pernambuco devesse ser representado por um homem com aparência viril , de bigode igual ao de seu pai .E que usasse óculos igual seu avô, demonstrando sabedoria não de mero intelecto , mas de que o tempo passou e que com a vista adoecida , passasse então a enxergar com o coração.
Ele pensou em um homem que tivesse tido a coragem e vigor para um serviço militar , mas que também fosse jogador de futebol, e que em algum momento estivesse ligado ao trabalho agrícola ,como sua mãe.
Muito trabalho , um homem precisa se divertir ! – concluiu o menino , então pensou na música de Pernambuco , baião, xote, e côco .E então, decidiu que seu personagem deveria também ser compositor , transformando suas experiências em ritmos alegres e contagiantes.
Tendo passando muito tempo ali debruçado sobre o caderno o menino acreditou que seu personagem existirá de fato e então temeu que já velho , tivesse de partir de modo a concluir sua narrativa. Foi então que ele pensou , que “O homem Pernambuco” que criará merecia ser lembrado,eternizado .
Se certificando de que isso fosse realmente possível , o garoto resolveu que seria este homem.

Jaqueline Bastos

Mantenha Gael vivo

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Episódio 8 : Mantenha Gael vivo

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Sempre faço questão de trazer a memoria a primeira vez que vi Gael ,lembro que fiquei surpresa com a perfeição da combinação de seus olhos azuis com seu cabelo rubro,que ficava alaranjado quando exposto ao sol.

Gosto de me lembrar como corava rápido quando eu falava de amor,e como mexia as mãos quando queria dar ênfase ao que dizia.

Eu nunca ouvi Gael dizendo o que era certo ou o que era errado,eu sempre descobria o que ele pensava sobre as coisas através do modo como agia em relação a elas.

Ele tinha um mundo inteiro dentro de si,mas não se gabava disso,e se quer dizia algo sobre seus tesouros internos.Ele apenas deixava-se ser descoberto aos que queriam o descobrir.

Gael não era perfeito,quase sempre sua quietude me incomodava,no entanto sua tranquilidade sempre se apoderava de mim,e na calma mais paciente da sua leveza eu amei o mundo que eu habitei dentro dele.

Três semanas antes de Gael morrer eu acariciava seu cabelo enquanto dormia,e tentei supor o que ele sonhava. Ainda me pego fazendo isso ,e as vezes sonho que Gael ainda está vivo em outros corpos.Gosto de acreditar nisso.

O que eu mais amava em Gael não era seu corpo,nem sua face angelical,era a imperfeição de dentro que ele deixava esvaziar pra fora como perfeita e absoluta tranquilidade .

Eu diria que Gael é o amor,e mesmo morto ele nunca deixara de ser.

Caiques

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Eu deveria saber,não se pode escrever bem sobre o que ou quem não conhecemos muito bem,pelo menos não de modo plenamente sincero.No entanto, os poetas e escritores são todos fingidores,atores e mentirosos,inventam tudo ,cada detalhe,e moldam seus personagens ao seu modo.Criam romances impossíveis,amizades leais,cenários surreais,vidas e vidas que nunca existiram.Mas eu não sou poeta,nem fingidora ,atriz ou mesmo boa com mentiras.Baseio minhas criações em personagens reais,acontecimentos reais e sentimentos reais.

E eu não conheço Caique,não sei de que modo evoca as palavras,ou o som que elas tem discorrendo pra fora de si .

Mas quando alguém vem de longe,ou pertence a algum lugar distante e esta só de passagem,é como se essas pessoas fossem livros. Livros dos quais nunca ouvi falar,mas então eles surgem em meu caminho,e eu os vejo,de um modo um tanto quanto nebuloso mas eu os vejo.

Alguns eu já li,são excelentes livros,mas a maioria eu devolvo a estante assim que leio a contra-capa .

Mas Caique,eu li a contra-capa e não devolvi á estante,li as páginas de sua introdução…e parei na introdução,  sem mover para o primeiro capítulo.Congelei pensando em todos os outros Caiques que devolvi a estante antes de ler a introdução.

Como teria sido aqueles capítulos que nunca li?

Como seriam aqueles outros,Caiques,Anas …

Se lêssemos mais as pessoas a nossa volta,os livros seriam mais reais,teríamos no que nos basear sem precisar inventar.

A vida real seria um livro ,um grande livro,onde cada pessoa é uma historia a parte ,real e única.

Olhares

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Episódio 3 : Olhares

 Não sei se devo acreditar que fico bem vestindo azul , ou se disse isso a mim mesma simplesmente porque azul é a cor do melhor vestido que eu possuía para aquela ocasião.De toda forma eu não sei andar de salto alto ,e qualquer cor que vestisse não me daria equilíbrio, e sem equilíbrio é difícil estar bem.

Olhares , olhares , olhares , eu atravesso o saguão e todos estão olhando pra mim !

‘Equilíbrio ,equilíbrio!’ repetia a mim mesma , um deslize admirando como as outras moças conseguem caminhar tão bem de salto , e então eu cai.

Foi demasiadamente constrangedor , admito (embora você saiba que a foi mesmo constrangedora a cena ainda que eu não admitisse isso)!

Dane-se o salto, o vestido azul , os olhares dos outros , eu fui nua para o fundo d’ água, sabe aquela imensidão de água particular onde me lavo de tudo ?

E acentuando o fato de que me distrai olhando para como as outras moças sabiam caminhar bem sobre saltos , eu me dei conta : mais importante do que os olhares alheios para mim , é para onde desvio os meus olhares , porque isso pode significar todo meu equilíbrio por água abaixo.

O Sol e Psicologia

00tumblr_lqmmgn8des1qemhxio1_500As crônicas de Wash

Episódio 2 : O Sol e Psicologia

Tenho passado tanto tempo no mar que já sou quase uma sereia.Mas até sereias tem memória ( quer dizer presumo que tenham , se é que existem sereias …). Bem, o fato é que fiquei sem contato com o sol durante muito tempo.Minha pele se tornou mais clara , mas minha alma foi se escurecendo aos poucos , e eu quase morri esquecendo-me de viver.

Todas as manhãs o sol se da o trabalho de aparecer , e faz isso há muito tempo … antes de eu você existirmos , e mesmo assim ousei esquecer vê-lo,e paguei um alto preço por isso!

Perdemos tanto tempo tentando esquecer algo ou alguém , que isso nos rouba mais tempo de vida (aliás talvez custe nossa vida):

O tempo gasto com a pessoa errada e/ou um projeto + O tempo gasto para esquecer o fracasso = sua vida!

As pessoas vão ao psicólogo por varias razões , mas sempre tem haver com duas coisas : Querem conversar ( de modo que acima de tudo possam ouvir a si mesmas, claro que elas nem precisam de psicólogos para isso , mas não diga a ninguém que eu disse isso!).E também porque querem aprender como esquecer ou lidar com algo ( o algo em questão sempre tem haver com o passado , não há como fazer terapia para um mau que ainda não viveu) .

Eu estou falando essas coisas mas nunca fui a um psicólogo ( provável que meu caso seja tratado com psiquiatra …ou sou causa perdida!)

Mas se em um universo paralelo se eu fosse uma psicóloga diria para meus pacientes verem o sol,saírem um pouco do mar e viverem , porque isso me fez bem!

 

O mar de esquecimento

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Episódio 1 : O mar de esquecimento

 Já faz muito tempo  , se tornou um hábito , não um daqueles hábitos ruins do tipo que causa náuseas as pessoas ao redor ( como cuspir no chão ).Mas esse hábito como todas as outras características em mim ,é o que faz com que acreditem com maior veemência que sou louca.

Sim , sou louca !

Não louca do tipo que já matou ou pretende matar alguém ( embora sinta uma literal vontade disso as vezes).Nem bipolar ou esquizofrênica,sou louca do tipo que foge aos diagnósticos . Até consigo fingir ser normal as vezes (jantares a trabalho , e ceias de Natal).

Mas como você sabe … não sou como os outros , recebi o título de louca , e esse me serve como uma luva , ou apenas tive preguiça de discordar … Enfim , costumo me embaraçar com as palavras , então vou dizer de uma vez : Eu mergulho!

Não como os profissionais com os pés de pato engraçados , ou cilindro de oxigênio.

Eu costumo mergulhar entre minhas memórias, não porque seja saudosista ou desocupada , na verdade odeio gente saudosista , mas eu mergulho até o passado e me lavo . Me lavo dele,e eu vivo melhor assim .

Meu lugar favorito no mundo , o mar de esquecimento, é onde gosto de mergulhar!