Borrão

large (1)
O primeiro amor surge sempre antes da gente crescer. Vai ver até a gente só cresce porque ele surge.
Eu era menina quando você veio pra mim, não sabia combinar cores, estragava as aquarelas e fazia estragos com tinta óleo.  Eu sujava telas e me julgava adulta, mau sabia que as pinceladas de imaturidade ia nos colocar num quadro tão desconfortável.
Não queria que tivéssemos sido dramáticos e tristes como Van Gogh, nem queria ver nosso amor como a fase azul de Picasso.
Queria saber como amar, e como pintar de cuidado seu corpo.
Queria ter feito arte digna de ser  emoldurada.
Queria por fim ser mais que um rascunho, um borrão.
Lamento então nossa tela, que hoje se desfaz mais um bucado, pois crescemos e ainda somos péssimos na arte de amar.  
 

5 comentários sobre “Borrão

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.