AUTO-RESPEITO ESTÁ FORA DE MODA? (Parte 2)

”Ain Jaqueline você é tão… tão estranha! Não mostra uma nada de pele! Até parece que … bom… os meninos andam dizendo que você deve ser lésbica.”

Mais ou menos da maneira escrita acima, uma ”amiga” chamada Danielle me abordou no banheiro da escola na sexta série e disse essas coisas. Ela era linda, a moça negra mais linda que eu já vi, era alta e embora aos treze anos parecia ser uma mulher.

Um dos rapazes mais cobiçados da nossa sala de aula certa vez disse ” A Dani é gostosa, pena que é negra, e eu não fico com meninas negras! ”. Ele disse isso em alto e bom som, a sala toda ouviu, e a Dani também. Desde então ela passou a se vestir como uma mega piriguete (embora esse termo nem fosse usado na época) . Ela chegou a me dizer que ia ”provocar ” ele, até ele mudar de ideia e topar ficar com ela.

Eu não conseguia entender porque ela queria o garoto racista…aos treze anos tinha muitas coisas que não entendia.

Não sei se entendo hoje, mas suponho que ela desejava tanto ser aceita por ele, que para isso se submetia a  utilizar de qualquer artificio, inclusive seu corpo ( ironicamente corpo esse do qual ele rejeitava a cor).

Dos treze até aqui tenho visto tantas e tantas outras Danis suplicarem por atenção, se humilharem para serem aceitas (independente de suas cores de pele, peso ou altura), e eu juro que ainda me pergunto onde terá ido parar o auto-respeito e amor próprio dessas mulheres.

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Quando foi que sensualidade virou sinônimo de vulgaridade?

Por que é tão estranho fazer uso do auto-respeito?

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Em resposta aos boatos que corriam pelos  corredores da sexta série naquele ano, eu devo dizer que continuo sendo a mesma hétero sexual estranha de sempre.

Eu acho incrível, e lindo ser mulher ( apesar dos pesares), não confundo sensualidade com vulgaridade. Há em ser mulher uma sensualidade natural, e essa quando muito exposta é vulgaridade, é o que eu penso.

E considero toda essa demasiada  exposição  desnecessária, principalmente quando acomete o auto-respeito * o amor próprio.

Pra que isso Dani, pra ser aceita pelo cara popular?

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7 comentários sobre “AUTO-RESPEITO ESTÁ FORA DE MODA? (Parte 2)

  1. Ser sensual não rima com ser vulgar, pois a sensualidade é algo natural da mulher, enquanto a vulgaridade se torna uma forma de atrair qualquer tipo de homem, não ligando para a qualidade e sim para a quantidade, o que é deplorável ao meu ver.
    Um grande beijo.
    Alex

  2. texto interessante esse, saudades de dá uns rolé no teu blog <3, enfim, eu acho que o problema aqui é essa busca de "afeto" ou "aceitação" masculina, as vezes como maneira de provar sua sexualidade.

    Acho que mulher tem vestir o que quer que a faça se sentir bonita, e bem, ou confortável. Não porque pensa que "alguém só vai querer ela se ela tiver esse tipo de comportamento ( aqui cabe tanto a vulgaridade quanto ao comportamento recatado)." A mulher, e também o ser humano tem que aprender a ponderar até onde a sociedade cabe interferir no seu comportamento.

    Se Dani, soubesse o que a faz bem de verdade, se ela se empoderasse de si, da seu gênero, da sua cor, da sua sexualidade, de fato. Ela não precisaria fazer nada para provar ao coleguinha dela que só quem perdia nessa história toda era ele, por ser racista, e por achar que ainda que ele a quisesse ela iria querer ele. Isso ela poderia fazer vestida com um vestido folgado que a cobrisse do pescoço aos pés tanto com uma shortinho e uma blusa decotada.

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